Podcasts são muito bacanas. Escuto vários e gosto muito de me manter informado sobre temas específicos que me interessam mas que não são, digamos, a coisa mais comum de achar por aí em noticiários. Eu gosto de ouvir as histórias do Darknet Diaries, que são sempre muito boas. Procuro ficar por dentro do que acontece nos confins da internet desde sempre acompanhando o P. J. Vogt desde a época do TLDR, passando pelo Reply All e agora no Search Engine. Outro que curto muito é o 99% invisible, que sempre tem algo bacana para ensinar e, para não falar que não escuto nada em português, o Medo e Delírio em Brasília, o Foro de Teresina, A Hora e o Boa Noite Internet também estão em minhas listas. Gosto muito também do formato de podcasts documentais. Escutar histórias e aprender por meio de relatos em áudio é muito bacana. This American Life e Land of the Giants que o digam.
Só que essas coisas vão e vem.
De vez em quando, sem bem perceber eu acabo mudando as coisas que escuto. Acho que deve ser a terceira vez em minha vida que eu dou uma pausa na audição constante de podcasts para escutar livros. Outro dia me peguei refletindo sobre isso quando uma colega professora me perguntou o que eu andava ouvindo (em termos de podcasts) e eu me dei conta, ao respondê-la, que havia algumas semanas que eu não escutava um episódio novo justamente porque havia voltado a escutar livros.
Embora exista quem não aprove ou não ache produtivo escutar livros, eu acho muito legal. Obviamente tenho em mente que o esforço cognitivo de escutar um livro é inferior ao de ler o livro no sentido estrito. Mas tudo bem. Além disso, tem a questão da distração e de estar escutando um livro enquanto faço outra coisa (em meu caso, normalmente esta outra coisa é estar dirigindo ou passeando com o cachorro aos finais de semana). De qualquer forma, da mesma maneira que a gente precisa de vez em quando voltar umas páginas quando está lendo um livro e se pega distraído e precisa ler novamente um trecho para entender melhor, quando isso acontece com um audiolivro, eu volto alguns minutos e tento entender melhor o que acabou de ser falado.
Fato é que escutar livros é muito bom.
Prefiro ouvir livros de ficção mas não me prendo a eles. Recentemente ouvi o “This is for everyone” do Tim-Berners Lee – lido pelo Stephen Fry – e também o “Technofeudalism”, lido pelo próprio autor, Yánis Varoufakis. Ambos são não-ficção. Também passei pelo “Careless people”, que me fez passar enorme raiva da Meta, da Sheryl Sandberg e do Mark Zuckerberg (se fosse possível ter mais raiva deles), escrito pela Sarah Wynn-Williams e o “Enshitification”, escrito pelo Cory Doctorow.
Antes deles passei pela belíssima trilogia de Liu Cixin: “The Three Body Problem“, “The Dark Forest” e “Death’s End” começando por aquilo que alguns consideram um prequel (mas não é) que é o “Ball Lightning“. São quatro livros fenomenais que recomendo imensamente. Ficção das boas. Talvez a leitura dos livros do Liu Cixin tenha sido uma experiência tão bacana quanto foi, anos atrás, ler os seis livros de Duna, do Frank Herbert.
Falando nisso, intercalando com as não ficções que falei acima, eu li os dois mais recentes do Daniel Suarez “Delta V” e “Critical Mass”. Este autor é fantástico. Dele eu também já havia lido “Daemon” e “Freedom”, “Kill decision”, “Influx” (o meu preferido dele) e “Change agent”. Estes todos, no entanto, li há mais tempo, acho que na segunda onda de audiolivros que eu entrei.
Ler ou ouvir?
Acima eu me peguei me referenciando a audição dos livros como leitura. Percebam que pra mim, ler e ouvir não são muito diferentes. Tanto que eu me refiro ao consumo de audiolivros como leituras. Certa vez eu ouvi o Leo Laporte falando isso (deve ter mais de 15 anos que ele falou isso em algum episódio do TWiT e a coisa ficou em minha cabeça) e eu simplesmente assimilei.
Enfim, sempre que penso nas controvérsias a respeito da qualidade (ou da falta dela) da audição de audiolivros eu me ponho a pensar em pessoas cegas. Será que as pessoas cegas – que se beneficiam enormemente de audiolivros – têm uma experiência de leitura, aprendizado e apreensão das informações inferior por causa do formato dos livros? Eu penso que não. Então, pra mim, ouvir é ler.
Pois bem. Fato é que há alguns meses eu dei uma pausa na audição de podcast e estou bem atrasado em vários deles. Alguns – presos ao tempo – como A hora, o Foro e o Medo e Delírio, eu vou acabar pulando. Outros, que são atemporais, estão aqui me esperando. Carinho especial para o Darknet Diaries.
O que rola portanto é que estou novamente em um momento de audiolivros e queria compartilhar (acho que ainda não havia falado aqui) que eu curto muito o formato e tenho muita preguiça do eventual preconceito que algumas pessoas possam ter com relação a audiolivros. Lembro que falei das minhas leituras anteriormente e não mencionei que eram leituras de audiolivros…
Se você fica muito tempo no trajeto para escola ou trabalho, sugiro experimentar. Meus deslocamentos são relativamente longos e eu percebo que a experiência muda bastante quando estou escutando um livro. Além disso, como vocês devem ter percebido, os audiolivros que mencionei estão em inglês e o processo de ouvir em inglês é excelente para manter a prática.
