A inteligência artificial é tão inteligente…

Eu adoro a inteligência artificial. Ela é tão inteligente! Vai revolucionar o meu dia-a-dia.

De certo, vou ponhar meu computador para trabalhar tal qual a inteligência artificial me recomendou.

Agora sério… Você confiaria em um produto que se intitula “Inteligência Artificial” e que inventa de usar ponhar da forma como a que está aplicada nesta frase?

Entendo que por mais que seja um regionalismo e que algumas circunstâncias o uso é até aceito, você não acha que a ferramenta deveria ser inteligente o suficiente para saber que eu não estou no interior do estado de São Paulo e muito menos no Rio Grande do Sul (onde este uso é parcialmente aceito, embora considerado coloquial)? Mesmo se fosse este o caso, a conjugação verbal está equivocada. Para uma ferramenta que algumas pessoas (lunáticos, eu sei) acham que vai aniquilar com empregos de boa parcela da população, um erro desse tipo é inaceitável.

De qualquer forma, acho que tem sido dado crédito demais para estas ferramentas. A nossa sociedade está desenvolvendo uma dependência perigosa destas ferramentas de geração de conteúdo a partir de prompts.

Com estas ferramentas, claro, as respostas chegam rapidamente. Entretanto, não há aprendizado. Esta etapa está sendo pulada. As pessoas acham que estão ganhando tempo, mas isso não está acontecendo. O que ocorre é a criação de dependência por estas respostas rápidas que, sem o devido repertório e conhecimento para poder checar, nem se sabe se são corretas. Mas isso não é o importante imediatamente. O que é importante é que o prompt foi respondido e que agora podemos fazer a próxima tarefa. Uma hora a conta vai chegar. O aprendizado que não aconteceu será cobrado e estes profissionais serão desafiados. Só que sem saber como aprender, a bomba vai estourar.

You are being identified and tracked by YouTube when you share something from their platforms

I listen to music very loudly in my headphones and sing/scream silently while walking my dog on the streets.

Every now and then I share the songs I listen to on my mastodon profile. When I do this, I take care to remove the identifying information that YouTube has started putting in all the URLs that we share from its video or music platforms.

To remove it is easy, just delete the part that has the code “&si=xxxx…”. This is the identifying and tracking information that YouTube forcibly places in all the URLs of the materials we share from its platforms.

I recommend that you also remove this information whenever you share something from there.

Entendedores entenderão

E se a gente decidisse fornecer menos dados para as grandes plataformas? E se a gente resolvesse tirar nossos dados das grandes plataformas?

Eu já não tenho nada da Meta em minha vida pessoal. Estou próximo de não ter nada da Microsoft em minha vida pessoal também. O linkedin é uma última coisa da Microsoft que ainda tenho atrelado a um e-mail pessoal. Resolvi fazer uma coisa diferente com esta plataforma, que preciso usar para uma parte de meu trabalho.

Eu resolvi remover todas as minhas informações pessoais possíveis do meu perfil no linkedin. Tudo bem que a plataforma já sabe muito sobre mim, mas minha decisão é a de que ela não vai saber mais nada sobre mim a partir de agora.

Removi todas as minhas experiências e informações de formação. Sou apenas um perfil lá com conexões já estabelecidas. Novas conexões, claro. Sempre muito bem vindas. Quem me conhece pessoalmente sabe o que eu faço então não precisa ter isso estampado em meu perfil.

Sei que não é a situação de mundo perfeito, mas é o que dá para fazer sem prejudicar meu trabalho. De qualquer forma, quanto menos informações as plataformas tiverem sobre mim, melhor.

Tá todo mundo louco

Eu tenho plena convicção de que o LinkedIn é um experimento social em larga escala. Daqueles para os pesquisadores descobrirem quão loucas são as pessoas mas que, ainda assim, conseguem viver em sociedade.

Eu entrei no LinkedIn hoje e fiquei lá um tempo olhando para aquele abismo. Olhei demais para o abismo e o abismo olhou de volta pra mim. Veja o que o abismo me mostrou:

Bem, vamos lá então para mais um episódio em que uma pessoa aleatória da internet (no caso eu) comenta o que outra pessoa aleatória da internet (no caso, essa pessoa do LinkedIn) publicou…

Comecemos pelo básico

Em primeiro lugar, vamos a um procedimento básico que a gente ensina para estudantes de Publicidade nos primeiros meses de curso.

Qualquer projeto de comunicação, seja com um novo cliente ou com um cliente antigo, precisa começar com uma reunião de briefing.

Esta reunião é muito importante porque nela a gente (profissional de Publicidade) procura descobrir junto ao cliente o seu problema específico de comunicação e as informações que ajudam a entender este problema, o cenário em que este problema se insere e o que mais puder interferir no problema (no caso, percepções de mercado, concorrência, consumidores, etc…).

Como consequência, ajudamos o cliente a definir os objetivos de comunicação e, só com este conjunto de informações em mãos, a gente parte para a próxima etapa, que vai implicar em pesquisas para descobrir questões complementares vinculadas ao que o cliente falou e informações de mercado que podem comprovar ou até mesmo contrariar percepções iniciais do cliente.

Enfim. A gente faz uma reunião de briefing para – depois dessa reunião – ter um documento chamado Relatório de Briefing.

Quando eu falo “a gente” eu me refiro ao profissional que faz o Atendimento. é ele que se reúne com o cliente. E é ele que preenche o relatório. O cliente nem fica sabendo desse documento. Isso não é trabalho do cliente. Essa é uma atividade do profissional de Atendimento.

Enfim… este documento que é gerado pelo profissional de Atendimento vai ser entregue e devidamente contextualizado para as equipes de Planejamento e Criação que vão começar a trabalhar a concepção da solução de comunicação para este cliente.

Pois bem. Agora vamos voltar e ler o que a pessoa descreve na situação do post que foi publicado no linkedIn. Perceba que a pessoa apenas envia um documento para o cliente, pede para ele preencher e tem a etapa do briefing como resolvida. Só que não tem nada de resolvido quando as pessoas fazem isso.

O briefing é um documento que o Atendimento preenche depois de ter se reunido com o cliente. Não é um formulário que o Atendimento envia para o cliente pelo WhatsApp. A gente precisa compreender bem o que está acontecendo com o cliente e qual é o problema dele. Por isso a gente faz uma reunião. Normalmente essa reunião é feita lá na empresa do cliente.

Uma reunião de briefing é parecida com uma consulta médica. Numa consulta, o médico faz perguntas pra gente para descobrir questões que estejam relacionadas ao sintoma que levou o paciente a procurar o médico e que não necessariamente a ele pensa que se relacionem com o sintoma. Por exemplo: recentemente eu fui ao Otorrinolaringologista para investigar uma dor de garganta que eu tive que estava se prolongando por muito tempo, mesmo depois de ter tratado uma sinusite grave. O médico fez uma série de perguntas e sacou que meu problema não era uma sinusite não curada, mas sim refluxo. Ele perguntou coisas sobre meus hábitos alimentares e até a hora do dia em que eu sentia mais dor na garganta. Coisas que eu nem pensava se relacionar com a dor de garganta que eu sentia. Percebam uma coisa importante: o médico conversou comigo; me examinou. Ele não mandou um formulário do google para eu dizer o que eu estava sentindo.

Sacou? Se não sacou, eu explico. Um briefing é construído a partir de conversa com o cliente, de uma investigação que a gente faz com ele para compreender onde seu problema pode estar. A gente tenta descobrir nessa conversa como ele enxerga o mercado em que atua, onde pode haver uma oportunidade e onde pode haver algum desafio…

A gente tenta descobrir isso conversando e interaginco com o cliente, conhecendo a sua empresa, como funciona o seu negócio, como opera a cultura dessa instituição, como o consumidor dele compra o seu produto… Essas coisas a gente não consegue descobrir com um formulário ou um documento que o cliente preenche de forma autônoma depois que a gente enviou pelo WhatsApp.

A gente descobre um monte de coisa conversando com o cliente e depois indo a campo para validar aquilo que o cliente falou e também para descobrir mais coisas. Isso é (ou deveria ser) básico para um profissional de Publicidade. A gente não consegue fazer um plano de Comunicação nem conceber uma campanha ou ação de publicidade sem saber para que ela vai servir, para quem ela vai ser dirigida, qual será seu objetivo e qual o problema que ela poderá ajudar a resolver.

Então, se isso não era familiar a você, agora passa a ser. Um profissional de atendimento precisa conversar bastante para entender do cliente e do negócio dele. Conhecer o mercado e o cenário. Isso não se faz com um documento preenchido pelo cliente. Isso se faz em uma reunião de briefing.

Na sequência, o profissional de planejamento não consegue conceber um plano de comunicação e nem um profissional de criação não consegue construir uma ideia de campanha sem uma base bem fundamentada. Isso vem do briefing e de pesquisa de mercado.

Voltando ao post

Então, vamos voltar à situação do post do LinkedIn. A gente jamais deve iniciar um processo com o envio de um documento pelo WhatsApp e esperar que o cliente preencha. Por mais que você seja um ás na concepção de formulários, as informações de um briefing são qualitativas em sua maior parte. Elas virão de uma conversa. Isso é importante para o processo e também para o seu negócio de Publicidade. Falo assim porque o seu cliente vai valorizar muito mais a relação que está construindo com você se você estiver lá, escutando seus problemas, tentando entender a sua situação e buscando ajudá-lo…

Por isso, pelo amor de tudo o que você acredita: não comece um projeto de comunicação mandando um documento para o seu cliente preencher e – por tudo – não chame isso de Briefing. Não é.

Se há uma coisa correta na postagem feita é a ideia de que um trabalho sem um briefing, não é um trabalho que dá certo. O resto da postagem, pelo amor de bacon, tá tudo errado.

Sobre as máquinas geradoras de lero-lero e o “Texto Polishop”

Todas as ferramentas de detecção de IA que eu já experimentei apresentaram erros. O mais comum é elas falarem que um texto é feito por IA quando foi 100% feito por um humano. Com estes falsos positivos, não recomendo usar estas ferramentas.

Não quer dizer que eu tenha desistido de buscar identificar o uso de LLMs (ou geradores de lero-lero) em atividades que deveriam ter sido feitas por pessoas. Em minha atividade diária, isso é das coisas mais importantes. Passei a fazer isso eu mesmo. Falha bastante (no sentido de deixar textos assim passar), mas pelo menos a falha é minha. Não busco localizar o uso dessas ferramentas para punir os alunos. A instituição para a qual trabalho ainda não tem uma política formal sobre este tipo de ação então não acho adequado tomar qualquer tipo de atitude no sentido de punir quem usa enquanto não existirem critérios amplos para serem seguidos de forma igual por todos em minha posição.

De qualquer forma, eu não me furto da obrigação de indicar sutilmente que o uso foi percebido. Quem já leu um feedback meu e prestou atenção, percebeu que eu estou indicando que eu vi que foi usado um gerador de lero-lero. Penso que perceber o uso dessas ferramentas é preponderante para poder sinalizar para o profissional em formação onde ele deveria ter atuado e feito algo efetivamente.

Ao longo dos semestres tenho percebido o uso mais e mais prevalente dessas ferramentas. E eu acabei percebendo uns padrões de texto que não costumam ser presentes na nossa forma (português brasileiro) de escrever. São indicativos de duas coisas possíveis. A primeira, mais óbvia, é a alteração da forma através da qual a gente se expressa por meio de texto. Da mesma forma que os adolescentes que consomem muitos vídeos de youtube acabam por desenvolver os maneirismos de linguagens dos youtubers, é possível que a gente também passe a escrever de forma a refletir aquilo que a gente lê.

A segunda coisa é a adoção das Lero-Lero machines (LLMs). Estas máquinas geram texto a partir da forma com a qual elas foram apresentadas ao texto. Normalmente o material de treinamento usado foi escrito em inglês então uma coisa que eu percebi é que elas geram texto seguindo uma lógica estadunidense de estruturação do texto, de construção de ideias e de argumentação.

Perceber isso demandou me lembrar do que eu estudei para escrever minha tese de doutorado. Na época (quase 15 anos atrás) meu orientador me apresentou ao método lógico de redação do prof. Gilson Volpato (que agora está na segunda edição). Neste livro somos apresentados a uma forma de escrever que se assemelha de sobremaneira ao que lemos em textos científicos em inglês. Apresenta-se uma ideia ao começo do parágrafo. Esta ideia é confrontada com questões antagônicas com as devidas argumentações, depois são apresentados os elementos de sustentação da ideia principal para, por fim, concluir o argumento em defesa da ideia.

Uma manifestação periférica desse tipo de estrutura se dá em frases que compartilham uma estrutura como esta:

“A tecnologia, nesse enfoque, não deve ser entendida como uma solução pronta, mas como uma possibilidade aberta.”

Esta frase foi retirada de um trabalho acadêmico real oficial. Tudo indica que alguém copiou isso de uma resposta dada por um gerador de lero-lero e colocou num texto que enviou para o professor (no caso, eu) ler e dar nota.

Este é o tipo de frase e de texto que eu apelidei de “Frase Polishop” ou “Texto Polishop” (que poderia muito bem ser chamada de “Frase 1406” ou “texto 1406”, mas daí muita gente não pegaria a referência ao 1406). Parece com frase de texto de vendas que os locutores de canais de televendas usam para falar de um produto. Algo como: “Esta faca não é simplesmente um aparato para a sua cozinha, mas sim uma verdadeira ferramenta de sobrevivência!”. Não há substância efetiva na frase. Ela não traz nada em termos de conteúdo. No entanto, coloca palavras em sequência de forma a levar o leitor a perceber que faz sentido uma palavra estar atrás da outra. No entanto, ao olhar a coisa completa, vemos que é uma frase vazia. Ela não nos diz nada.

Um parágrafo escrito por uma ferramenta geradora de lero-lero mostra estrutura semelhante:

As redes sociais transformam seguidores em clientes fiéis por meio de um processo gradual e estratégico focado na construção de relacionamentos duradouros e na entrega constante de valor. Diferente do marketing tradicional, o ambiente digital permite que as marcas não apenas atraiam, mas interajam, influenciem e colaborem com o público, despertando a decisão de compra e a fidelização. Ao atingir esse nível de conexão emocional, respeito e satisfação, as marcas podem se tornar “lovemarks”, sendo amadas e respeitadas por seus seguidores, que passam a agir como guardiões da marca no mercado.

Para gerar o texto do parágrafo acima eu usei algumas fontes de leitura e pedi que uma lero-lero machine fizesse um resumo pra mim. É possível perceber a apresentação de uma tese ao começo do parágrafo. logo depois, negativa usada para ajudar a sustentar a ideia. Na sequência, argumento para consolidar a sustentação da tese principal proposta. Por fim, o arremate em forma de conclusão. No parágrafo acima, há uma “Frase Polishop” usada para ajudar a consolidar a ideia central.

Escrever frases e textos assim não é algo que nós, brasileiros, fazemos com facilidade e fluidez. Não é o jeito pelo qual aprendemos a escrever nossas redações e – definitivamente – não é o que norteia a redação de cada parágrafo de nossos textos. Então, quando o texto chega dessa maneira, é um grande indicativo de que aquela ideia ou argumentação, acrescentada daquela estrutura de apresentação não vieram organicamente da reflexão de alguém. É aí que eu sinalizo que o texto carece da voz efetiva de quem o escreveu. É aí que eu indico que o texto poderia ser melhor se fosse mais verdadeiro e representasse efetivamente a reflexão feita a partir de uma leitura indicada.

Com o tempo, penso que o uso dessas ferramentas de geração de texto vão influenciar o jeito que escrevemos da mesma forma que os maneirismos dos produtores de conteúdo do YouTube influenciam o modo de falar de seus públicos; daí, as duas coisas que eu indiquei perceber lá atrás vão acabar se misturando. Entretanto, acho que ainda não estamos lá. O mais provável mesmo é que estejam sendo usadas estas ferramentas de geração de texto (ou máquinas de lero-lero) para escrever e “ganhar tempo”.

Isso é uma pena porque o objetivo de uma atividade reflexiva é justamente verificar se o aluno conseguiu fazer conexões entre as ideias presentes nos textos colocados para a leitura, por exemplo. Quando um aluno resolve pedir a uma ferramenta dessas para fazer-lhe um resumo deste texto, o resumo feito é o que a máquina “achou” ser o mais relevante a partir de um tratamento estatístico. Não necessariamente seria a mesma coisa que a pessoa perceberia. Ganha-se tempo mas perde-se a capacidade de extrair a ideia principal de um texto ou a capacidade de perceber o que o autor usa para sustentar suas colocações. De igual maneira, quando um estudante coloca uma questão para a máquina responder, a resposta é redigida pela máquina. A pessoa terceirizou a sua capacidade de pensar em troca de um texto rápido sem qualquer traço de personalidade. O aluno não aprende nada no processo.

Ou seja: a pessoa passa adiante a sua capacidade de fazer as conexões. Por isso, da mesma forma que eu não acho adequado usar uma ferramenta de detecção, eu desrecomendo o uso dessas ferramentas nos estudos para obter o ponto central de um texto ou mesmo fazer um resumo. Para responder perguntas, pior ainda. Há pesquisa que fundamenta esta desrecomendação, como no caso da TU/e, que realizou uma investigação com a finalidade de ter um parecer mais acertado sobre a recomendação (ou não) do uso dessas ferramentas para os estudos. O veredicto foi que não é recomendado o uso por causa dos erros e invenções que as máquinas geradoras de lero-lero fazem.

Aprender demanda esforço. Demanda confrontar o texto, tentar desvendá-lo. Buscar compreender o que o autor quis dizer com aquilo. Tentar fazer os encaixes com o que o professor falou e com o que outros textos estão argumentando. Isso demanda tempo, esforço e não funciona da mesma maneira pra todo mundo. Entretanto, é o processo mais eficiente que temos para aprender conceitos e teorias e tê-los fixados em nossas cabeças. Deixar que máquinas façam isso é um erro. Ganha-se em tempo (como disse antes) mas perde-se na capacidade de desenvolver estes “músculos mentais” que nos permitem fazer as ligações e interpretações.

Um paralelo que eu gosto de fazer nessa argumentação é com relação a outros materiais que a gente consome. Já pensou você delegar para uma ferramenta dessas resumir um disco ou um filme para você? Parece algo inútil, né? Afinal de contas, o bacana de assistir um filme ou ouvir um disco é justamente você investir o seu tempo e se dedicar a essa atividade de consumo. Assim sendo, fazer isso para a leitura de texto e o aprendizado de conceitos é a mesma coisa. O bacana é justamente você investir o seu tempo fazendo a leitura e buscando construir as interpretações.

Quem defende que usar as ferramentas para resumir ideias e extrair pontos importantes de texto seja algo útil para o processo de estudo tem desconhecimento do funcionamento dessas ferramentas, das consequências que acabei de falar ou então tem má intenção com relação ao processo.

Pensemos no funcionamento dessas ferramentas. Quando se pede para que uma ferramenta extraia ideias de um conjunto de materiais de referência é comum que estas máquinas geradoras de lero-lero cometam erros e inventem fatos, conceitos ou termos. Se a pessoa não souber que aquilo está errado (ou seja: não tiver estudado o texto) o erro passa e isso pode ser muito ruim. Normalmente quem pede para uma ferramenta dessa ler algo é porque não está com a intenção de ler o texto original. Então como vai saber que está sendo enganada por algum erro grotesco que a máquina está cometendo?

Daí, volto ao meu argumento: quem recomenda o uso dessas ferramentas desconhece isso ou então está com más intenções.

 

Falha ao iniciar a gravação – Erro com câmera virtual no OBS

Em alguns contextos, ao tentar iniciar a câmera virtual no OBS – usando Linux – algumas pessoas acabam encontrando a mensagem de erro abaixo.

Foi o meu caso. Antes de começar a buscar drivers e ir para o caminho que vai te tomar uma noite de sono (como eu) recomendo olhar os logs do OBS (Ajuda >> Arquivos de registro).

Olhando os logs do OBS, não encontrei nenhum erro. Entretanto, ao executar o OBS pelo terminal e acompanhando cada mudança no terminal ao tentar iniciar a câmera virtual, vi que estava ocorrendo o erro sh: 1: pkexec: not found.

A partir daí a solução foi simples. Bastou instalar este pacote e a câmera virtual começou a funcionar sem problemas.  Para fazer a instalação, foi só executar:

sudo apt install pkexec

Agora, se o seu erro não foi este, daí sí, talvez, valha a pena começar a correr atrás de drivers e etc.

PS: importante considerar que se você instalou o OBS via flatpak, a câmera virtual não mais funciona. Então recomendo sempre usar o OBS fornecido pela sua distribuição.

Como você salva seus arquivos?

Acabo de topar com uma pergunta muito interessante sobre nomenclatura de documentos no Órbita. A pergunta era assim:

Resolvi responder. Gostei bastante da minha resposta lá porque eu me empolgo com esse assunto dos meandros da produtividade. Daí resolvi trazer a resposta que coloquei lá para este espaço. Eu costumo recomendar esta abordagem para alunos em grupos de TCC e então talvez isso seja útil no futuro.

Para deixar a coisa mais direta, eu gosto sempre de nomear arquivos com a data, a hora, o conteúdo e o autor no nome do arquivo. Daí a coisa acaba ficando assim:

20260415-1801_Projeto_Caio.odt

Ao olhar o nome do arquivo acima, você saca, de cara, que é a versão do dia 15 de abril de 2026 do Projeto que o Caio mexeu e salvou às 18:01.

Mas… por qual motivo adotar este formato? Vamos lá!

Trabalhar em grupo em um único documento (o projeto de um TCC por exemplo) pode ser desafiador e um verdadeiro teste de paciência. Em primeiro lugar eu prefiro a abordagem de pastas compartilhadas ao invés de termos um único documento na nuvem onde todos escrevem nele. Explicarei sobre isso a seguir.

Eu uso este método de nomear os arquivos com a data já ha um bom tempo. Ele é especialmente útil para quando a gente está trabalhando com muitas versões de um documento e com muita gente junto. Assim a gente sabe quem foi responsável por X versão. Exemplo:

20260415_Projeto_Caio.odt <- Este documento foi editado pelo Caio hoje
20260414_Projeto_Marcelo.odt <- Este documento foi editado pelo Marcelo ontem

Se a versão mais recente (a do Caio) estiver com alguma incongruência, a gente sabe que quem fez caquinha foi o Caio. E é legal trabalhar assim porque daí se quisermos descartar as besteiras que o Caio fez no documento é só criar uma nova versão a partir do que o Marcelo fez ontem.

Quando mais de uma pessoa trabalha no mesmo documento no mesmo dia, a gente adiciona a hora da modificação. Assim acaba ficando:

20260415-1453_Projeto_Caio.odt <- Esta é a versão que o Caio mexeu e salvou às 14:53 de 15 de abril.

Eu acho esta abordagem muito bacana porque a gente só precisa organizar a visualização da pasta por nome dos arquivos e daí a gente tem um ótimo panorama de como está o andamento das coisas.

Além disso, acho melhor esta organização porque garante versões fáceis de recuperar. E isso em um trabalho em grupo é muito importante. Se todo mundo trabalha no mesmo documento, as alterações acabam sobrescrevendo o trabalho passado e daí fica mais difícil voltar a algo que foi feito no passado e que estava melhor do que o que foi feito agora.

E isso de uma versão passada estar melhor do que a versão atual acontece com uma frequência muito maior do que gostamos de admitir.

Por fim – e talvez essa seja a argumentação matadora – , acho que é bacana adotar esta abordagem porque elimina nomes como:
projeto_final_final mesmo_ Agora vai_IMPRIMIR.odt.

🙂

E lá se vão 09 anos!

Rapaz. Outro dia alguém comentou sobre a primeira instância que eu me cadastrei no Mastodon e eu resolvi dar uma olhada em como estão as coisas.

Foi aí que vi que já estavam quase completando 09 anos que eu me cadastrei para experimentar o Mastodon!

A instância parece estar abandonada e bastante desatualizada. Ainda bem que eu saí de lá. Parece ser questão de tempo até que saia do ar.

Para fins de memória, resolvi printar o meu primeiro perfil na plataforma:

Como não poderia deixar de ser, também registrei o meu primeiro post no Mastodon:

Confesso que nem lembrava deste cliente de Mastodon que eu usei lá no começo. Mas enfim. Aqui está, para registrar os 09 anos de criação de meu primeiro perfil lá.

Se você quiser me seguir no Mastodon, hoje em dia eu estou na instância do Vivaldi: https://social.vivaldi.net/@caiocgo

Grupos / Pacotes de software no Android

Ainda estou me acostumando ao Android. Usei de 2011 a 2016. Minha impressão é a de que havia sido por mais tempo. Mas de 2016 até quase 2026 (18/12/25 para ser preciso) eu usei iPhone. Está difícil acostumar com o Android, confesso.

Uma dificuldade / incômodo especial que enfrento é com a quantidade de mensagem publicitária que aparece na interface em lugares que não seria legal aparecer publicidade. Além dessa questão da publicidade invasiva num aparelho pelo qual paguei, tem o esquema da dificuldade de encontrar software bacana para usar. A Play Store parece um shopping popular onde vendedores pulam na sua frente querendo te chamar atenção o tempo todo para lhe aplicar algum golpe ou lhe vender algo falsificado. A loja F-Droid é muito legal, mas tem menos opções e alguns tipos de aplicativos baixados de lá simplesmente não funcionam (por culpa do Google). Um exemplo é o CoMaps, que, se baixado da loja F-Droid, o Android Auto não funciona.

Bem, mas voltando à questão da dificuldade de achar apps bacanas, eu me pus a buscar bastante. Acabei topando com algumas iniciativas que apresento minimamente a seguir. Pode ser que ajudem mais gente.

Pacotes / Grupos de apps

Buscando por aplicativos que fizessem meu sistema ficar mais amigável achei três iniciativas bem legais que uso de uma forma ou de outra.
A primeira delas é o Fossify. Trata-se de uma iniciativa de desenvolver aplicativos open-source e livres de publicidade. Há aplicativos bem legais na lista e tenho usado todos deles. A lista completa compreende Telefone, Galeria, Camera, Mensagens, Calendário, Contatos, Gerenciador de arquivos, Calculadora, Gravador de áudio, Notas, Player de Música e Relógio.
Há uma opção bacana de você pagar uma única vez para ajudar no desenvolvimento. Eu paguei e acho que é legal colaborar quando a gente pode. É bem bacana ter este tipo de opção.

A segunda iniciativa que eu achei foi a Monocles. Esta iniciativa é bem interessante e muito voltada para a privacidade. Há um cliente de Mastodon (com uma instância vinculada), um aplicativo para mensagens XMPP, um navegador com privacidade configurada para os níveis mais altos, um cliente de e-mail (um fork do K9 Mail), um serviço de e-mail, um de conferências, um aplicativo de tradução e uma plataforma de colaboração em nuvem. Achei muito legal. Já usei o cliente XMPP deles e gostei muito. Uso o app de e-mail que é perfeito em minha opinião. Ele funciona com qualquer endereço que você tenha. A iniciativa Monocles tem ainda um esquema de vender aparelhos de telefone com o sistema operacional deles e um serviço de transformar seu telefone Pixel em um Android mais limpo e privado (com o moculaOS ou o GrapheneOS). Isso deve ser muito bacana mas não creio que funcione para mim aqui no Brasil. Diferentemente do Fossify, você pode fazer a compra ou assinatura de serviços. Eu achei muito legal.

A terceira iniciativa com a qual topei nessa minha busca é o Goodwy.dev e o seu pacote chamado Alright, que tem Calculadora, Galeria, Contatos, Mensagens e Telefone. Todos são open-source e com um cuidado (de acordo com eles) com a privacidade. Os aplicativos são bem bonitos, funcionais e modernos. O visual se destaca. São bem polidos. Considero eventualmente usar alguns destes aplicativos porque me parecem bem legais.

Bem, certamente existem mais. Estes foram os que encontrei neste breve período de 4 meses usando Android e que me pareceram bem interessantes na sua totalidade ou em parte.

Seria essa uma ação de tentativa de restauração de imagem?

Não. É apenas mais um golpe.

Hoje, 27 de março de 2026, alguém acordou decidido a gastar uma grana com ações de tráfego pago no linkedin levando pessoas a sites – no mínimo suspeitos –  com conteúdos voltados a tentativa de limpeza da imagem de um certo dono de banco que encontra-se preso. Na real é um pouco mais do que isso. O conteúdo é um chamariz para um golpe.

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Num espaço de 5 minutos rolando o feed do linkedin fui bombardeado por 13 postagens patrocinadas de páginas com 1 seguidor, nomes semelhantes, ícones parecidos, que publicaram links para 3 sites com conteúdos praticamente iguais tentando fazer um trabalho de reversão de imagem pública de uma certa pessoa.

A página de destino da ação busca enaltecer a imagem do banqueiro preso e mimetiza a identidade do portal UOL. A página é falsa. Os links não funcionam e este site não pertence ao UOL.

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A ação é recheada de péssimas intenções. No mínimo.

O conteúdo começa com um relato de entrevista (falsa) do banqueiro. Na sequência, a má intenção e o objetivo final: Venda de serviços de assessoria / acesso a uma plataforma de investimento (GOLPE).

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Desconfio que este golpe vai rolar ainda por muito tempo no linkedin. A plataforma está faturando enquanto incautos clicam nos links.

Apenas mais uma sexta-feira.