Sobre as máquinas geradoras de lero-lero e o “Texto Polishop”

Todas as ferramentas de detecção de IA que eu já experimentei apresentaram erros. O mais comum é elas falarem que um texto é feito por IA quando foi 100% feito por um humano. Com estes falsos positivos, não recomendo usar estas ferramentas.

Não quer dizer que eu tenha desistido de buscar identificar o uso de LLMs (ou geradores de lero-lero) em atividades que deveriam ter sido feitas por pessoas. Em minha atividade diária, isso é das coisas mais importantes. Passei a fazer isso eu mesmo. Falha bastante (no sentido de deixar textos assim passar), mas pelo menos a falha é minha. Não busco localizar o uso dessas ferramentas para punir os alunos. A instituição para a qual trabalho ainda não tem uma política formal sobre este tipo de ação então não acho adequado tomar qualquer tipo de atitude no sentido de punir quem usa enquanto não existirem critérios amplos para serem seguidos de forma igual por todos em minha posição.

De qualquer forma, eu não me furto da obrigação de indicar sutilmente que o uso foi percebido. Quem já leu um feedback meu e prestou atenção, percebeu que eu estou indicando que eu vi que foi usado um gerador de lero-lero. Penso que perceber o uso dessas ferramentas é preponderante para poder sinalizar para o profissional em formação onde ele deveria ter atuado e feito algo efetivamente.

Ao longo dos semestres tenho percebido o uso mais e mais prevalente dessas ferramentas. E eu acabei percebendo uns padrões de texto que não costumam ser presentes na nossa forma (português brasileiro) de escrever. São indicativos de duas coisas possíveis. A primeira, mais óbvia, é a alteração da forma através da qual a gente se expressa por meio de texto. Da mesma forma que os adolescentes que consomem muitos vídeos de youtube acabam por desenvolver os maneirismos de linguagens dos youtubers, é possível que a gente também passe a escrever de forma a refletir aquilo que a gente lê.

A segunda coisa é a adoção das Lero-Lero machines (LLMs). Estas máquinas geram texto a partir da forma com a qual elas foram apresentadas ao texto. Normalmente o material de treinamento usado foi escrito em inglês então uma coisa que eu percebi é que elas geram texto seguindo uma lógica estadunidense de estruturação do texto, de construção de ideias e de argumentação.

Perceber isso demandou me lembrar do que eu estudei para escrever minha tese de doutorado. Na época (quase 15 anos atrás) meu orientador me apresentou ao método lógico de redação do prof. Gilson Volpato (que agora está na segunda edição). Neste livro somos apresentados a uma forma de escrever que se assemelha de sobremaneira ao que lemos em textos científicos em inglês. Apresenta-se uma ideia ao começo do parágrafo. Esta ideia é confrontada com questões antagônicas com as devidas argumentações, depois são apresentados os elementos de sustentação da ideia principal para, por fim, concluir o argumento em defesa da ideia.

Uma manifestação periférica desse tipo de estrutura se dá em frases que compartilham uma estrutura como esta:

“A tecnologia, nesse enfoque, não deve ser entendida como uma solução pronta, mas como uma possibilidade aberta.”

Esta frase foi retirada de um trabalho acadêmico real oficial. Tudo indica que alguém copiou isso de uma resposta dada por um gerador de lero-lero e colocou num texto que enviou para o professor (no caso, eu) ler e dar nota.

Este é o tipo de frase e de texto que eu apelidei de “Frase Polishop” ou “Texto Polishop” (que poderia muito bem ser chamada de “Frase 1406” ou “texto 1406”, mas daí muita gente não pegaria a referência ao 1406). Parece com frase de texto de vendas que os locutores de canais de televendas usam para falar de um produto. Algo como: “Esta faca não é simplesmente um aparato para a sua cozinha, mas sim uma verdadeira ferramenta de sobrevivência!”. Não há substância efetiva na frase. Ela não traz nada em termos de conteúdo. No entanto, coloca palavras em sequência de forma a levar o leitor a perceber que faz sentido uma palavra estar atrás da outra. No entanto, ao olhar a coisa completa, vemos que é uma frase vazia. Ela não nos diz nada.

Um parágrafo escrito por uma ferramenta geradora de lero-lero mostra estrutura semelhante:

As redes sociais transformam seguidores em clientes fiéis por meio de um processo gradual e estratégico focado na construção de relacionamentos duradouros e na entrega constante de valor. Diferente do marketing tradicional, o ambiente digital permite que as marcas não apenas atraiam, mas interajam, influenciem e colaborem com o público, despertando a decisão de compra e a fidelização. Ao atingir esse nível de conexão emocional, respeito e satisfação, as marcas podem se tornar “lovemarks”, sendo amadas e respeitadas por seus seguidores, que passam a agir como guardiões da marca no mercado.

Para gerar o texto do parágrafo acima eu usei algumas fontes de leitura e pedi que uma lero-lero machine fizesse um resumo pra mim. É possível perceber a apresentação de uma tese ao começo do parágrafo. logo depois, negativa usada para ajudar a sustentar a ideia. Na sequência, argumento para consolidar a sustentação da tese principal proposta. Por fim, o arremate em forma de conclusão. No parágrafo acima, há uma “Frase Polishop” usada para ajudar a consolidar a ideia central.

Escrever frases e textos assim não é algo que nós, brasileiros, fazemos com facilidade e fluidez. Não é o jeito pelo qual aprendemos a escrever nossas redações e – definitivamente – não é o que norteia a redação de cada parágrafo de nossos textos. Então, quando o texto chega dessa maneira, é um grande indicativo de que aquela ideia ou argumentação, acrescentada daquela estrutura de apresentação não vieram organicamente da reflexão de alguém. É aí que eu sinalizo que o texto carece da voz efetiva de quem o escreveu. É aí que eu indico que o texto poderia ser melhor se fosse mais verdadeiro e representasse efetivamente a reflexão feita a partir de uma leitura indicada.

Com o tempo, penso que o uso dessas ferramentas de geração de texto vão influenciar o jeito que escrevemos da mesma forma que os maneirismos dos produtores de conteúdo do YouTube influenciam o modo de falar de seus públicos; daí, as duas coisas que eu indiquei perceber lá atrás vão acabar se misturando. Entretanto, acho que ainda não estamos lá. O mais provável mesmo é que estejam sendo usadas estas ferramentas de geração de texto (ou máquinas de lero-lero) para escrever e “ganhar tempo”.

Isso é uma pena porque o objetivo de uma atividade reflexiva é justamente verificar se o aluno conseguiu fazer conexões entre as ideias presentes nos textos colocados para a leitura, por exemplo. Quando um aluno resolve pedir a uma ferramenta dessas para fazer-lhe um resumo deste texto, o resumo feito é o que a máquina “achou” ser o mais relevante a partir de um tratamento estatístico. Não necessariamente seria a mesma coisa que a pessoa perceberia. Ganha-se tempo mas perde-se a capacidade de extrair a ideia principal de um texto ou a capacidade de perceber o que o autor usa para sustentar suas colocações. De igual maneira, quando um estudante coloca uma questão para a máquina responder, a resposta é redigida pela máquina. A pessoa terceirizou a sua capacidade de pensar em troca de um texto rápido sem qualquer traço de personalidade. O aluno não aprende nada no processo.

Ou seja: a pessoa passa adiante a sua capacidade de fazer as conexões. Por isso, da mesma forma que eu não acho adequado usar uma ferramenta de detecção, eu desrecomendo o uso dessas ferramentas nos estudos para obter o ponto central de um texto ou mesmo fazer um resumo. Para responder perguntas, pior ainda. Há pesquisa que fundamenta esta desrecomendação, como no caso da TU/e, que realizou uma investigação com a finalidade de ter um parecer mais acertado sobre a recomendação (ou não) do uso dessas ferramentas para os estudos. O veredicto foi que não é recomendado o uso por causa dos erros e invenções que as máquinas geradoras de lero-lero fazem.

Aprender demanda esforço. Demanda confrontar o texto, tentar desvendá-lo. Buscar compreender o que o autor quis dizer com aquilo. Tentar fazer os encaixes com o que o professor falou e com o que outros textos estão argumentando. Isso demanda tempo, esforço e não funciona da mesma maneira pra todo mundo. Entretanto, é o processo mais eficiente que temos para aprender conceitos e teorias e tê-los fixados em nossas cabeças. Deixar que máquinas façam isso é um erro. Ganha-se em tempo (como disse antes) mas perde-se na capacidade de desenvolver estes “músculos mentais” que nos permitem fazer as ligações e interpretações.

Um paralelo que eu gosto de fazer nessa argumentação é com relação a outros materiais que a gente consome. Já pensou você delegar para uma ferramenta dessas resumir um disco ou um filme para você? Parece algo inútil, né? Afinal de contas, o bacana de assistir um filme ou ouvir um disco é justamente você investir o seu tempo e se dedicar a essa atividade de consumo. Assim sendo, fazer isso para a leitura de texto e o aprendizado de conceitos é a mesma coisa. O bacana é justamente você investir o seu tempo fazendo a leitura e buscando construir as interpretações.

Quem defende que usar as ferramentas para resumir ideias e extrair pontos importantes de texto seja algo útil para o processo de estudo tem desconhecimento do funcionamento dessas ferramentas, das consequências que acabei de falar ou então tem má intenção com relação ao processo.

Pensemos no funcionamento dessas ferramentas. Quando se pede para que uma ferramenta extraia ideias de um conjunto de materiais de referência é comum que estas máquinas geradoras de lero-lero cometam erros e inventem fatos, conceitos ou termos. Se a pessoa não souber que aquilo está errado (ou seja: não tiver estudado o texto) o erro passa e isso pode ser muito ruim. Normalmente quem pede para uma ferramenta dessa ler algo é porque não está com a intenção de ler o texto original. Então como vai saber que está sendo enganada por algum erro grotesco que a máquina está cometendo?

Daí, volto ao meu argumento: quem recomenda o uso dessas ferramentas desconhece isso ou então está com más intenções.

 

Falha ao iniciar a gravação – Erro com câmera virtual no OBS

Em alguns contextos, ao tentar iniciar a câmera virtual no OBS – usando Linux – algumas pessoas acabam encontrando a mensagem de erro abaixo.

Foi o meu caso. Antes de começar a buscar drivers e ir para o caminho que vai te tomar uma noite de sono (como eu) recomendo olhar os logs do OBS (Ajuda >> Arquivos de registro).

Olhando os logs do OBS, não encontrei nenhum erro. Entretanto, ao executar o OBS pelo terminal e acompanhando cada mudança no terminal ao tentar iniciar a câmera virtual, vi que estava ocorrendo o erro sh: 1: pkexec: not found.

A partir daí a solução foi simples. Bastou instalar este pacote e a câmera virtual começou a funcionar sem problemas.  Para fazer a instalação, foi só executar:

sudo apt install pkexec

Agora, se o seu erro não foi este, daí sí, talvez, valha a pena começar a correr atrás de drivers e etc.

PS: importante considerar que se você instalou o OBS via flatpak, a câmera virtual não mais funciona. Então recomendo sempre usar o OBS fornecido pela sua distribuição.

Como você salva seus arquivos?

Acabo de topar com uma pergunta muito interessante sobre nomenclatura de documentos no Órbita. A pergunta era assim:

Resolvi responder. Gostei bastante da minha resposta lá porque eu me empolgo com esse assunto dos meandros da produtividade. Daí resolvi trazer a resposta que coloquei lá para este espaço. Eu costumo recomendar esta abordagem para alunos em grupos de TCC e então talvez isso seja útil no futuro.

Para deixar a coisa mais direta, eu gosto sempre de nomear arquivos com a data, a hora, o conteúdo e o autor no nome do arquivo. Daí a coisa acaba ficando assim:

20260415-1801_Projeto_Caio.odt

Ao olhar o nome do arquivo acima, você saca, de cara, que é a versão do dia 15 de abril de 2026 do Projeto que o Caio mexeu e salvou às 18:01.

Mas… por qual motivo adotar este formato? Vamos lá!

Trabalhar em grupo em um único documento (o projeto de um TCC por exemplo) pode ser desafiador e um verdadeiro teste de paciência. Em primeiro lugar eu prefiro a abordagem de pastas compartilhadas ao invés de termos um único documento na nuvem onde todos escrevem nele. Explicarei sobre isso a seguir.

Eu uso este método de nomear os arquivos com a data já ha um bom tempo. Ele é especialmente útil para quando a gente está trabalhando com muitas versões de um documento e com muita gente junto. Assim a gente sabe quem foi responsável por X versão. Exemplo:

20260415_Projeto_Caio.odt <- Este documento foi editado pelo Caio hoje
20260414_Projeto_Marcelo.odt <- Este documento foi editado pelo Marcelo ontem

Se a versão mais recente (a do Caio) estiver com alguma incongruência, a gente sabe que quem fez caquinha foi o Caio. E é legal trabalhar assim porque daí se quisermos descartar as besteiras que o Caio fez no documento é só criar uma nova versão a partir do que o Marcelo fez ontem.

Quando mais de uma pessoa trabalha no mesmo documento no mesmo dia, a gente adiciona a hora da modificação. Assim acaba ficando:

20260415-1453_Projeto_Caio.odt <- Esta é a versão que o Caio mexeu e salvou às 14:53 de 15 de abril.

Eu acho esta abordagem muito bacana porque a gente só precisa organizar a visualização da pasta por nome dos arquivos e daí a gente tem um ótimo panorama de como está o andamento das coisas.

Além disso, acho melhor esta organização porque garante versões fáceis de recuperar. E isso em um trabalho em grupo é muito importante. Se todo mundo trabalha no mesmo documento, as alterações acabam sobrescrevendo o trabalho passado e daí fica mais difícil voltar a algo que foi feito no passado e que estava melhor do que o que foi feito agora.

E isso de uma versão passada estar melhor do que a versão atual acontece com uma frequência muito maior do que gostamos de admitir.

Por fim – e talvez essa seja a argumentação matadora – , acho que é bacana adotar esta abordagem porque elimina nomes como:
projeto_final_final mesmo_ Agora vai_IMPRIMIR.odt.

🙂

E lá se vão 09 anos!

Rapaz. Outro dia alguém comentou sobre a primeira instância que eu me cadastrei no Mastodon e eu resolvi dar uma olhada em como estão as coisas.

Foi aí que vi que já estavam quase completando 09 anos que eu me cadastrei para experimentar o Mastodon!

A instância parece estar abandonada e bastante desatualizada. Ainda bem que eu saí de lá. Parece ser questão de tempo até que saia do ar.

Para fins de memória, resolvi printar o meu primeiro perfil na plataforma:

Como não poderia deixar de ser, também registrei o meu primeiro post no Mastodon:

Confesso que nem lembrava deste cliente de Mastodon que eu usei lá no começo. Mas enfim. Aqui está, para registrar os 09 anos de criação de meu primeiro perfil lá.

Se você quiser me seguir no Mastodon, hoje em dia eu estou na instância do Vivaldi: https://social.vivaldi.net/@caiocgo

Grupos / Pacotes de software no Android

Ainda estou me acostumando ao Android. Usei de 2011 a 2016. Minha impressão é a de que havia sido por mais tempo. Mas de 2016 até quase 2026 (18/12/25 para ser preciso) eu usei iPhone. Está difícil acostumar com o Android, confesso.

Uma dificuldade / incômodo especial que enfrento é com a quantidade de mensagem publicitária que aparece na interface em lugares que não seria legal aparecer publicidade. Além dessa questão da publicidade invasiva num aparelho pelo qual paguei, tem o esquema da dificuldade de encontrar software bacana para usar. A Play Store parece um shopping popular onde vendedores pulam na sua frente querendo te chamar atenção o tempo todo para lhe aplicar algum golpe ou lhe vender algo falsificado. A loja F-Droid é muito legal, mas tem menos opções e alguns tipos de aplicativos baixados de lá simplesmente não funcionam (por culpa do Google). Um exemplo é o CoMaps, que, se baixado da loja F-Droid, o Android Auto não funciona.

Bem, mas voltando à questão da dificuldade de achar apps bacanas, eu me pus a buscar bastante. Acabei topando com algumas iniciativas que apresento minimamente a seguir. Pode ser que ajudem mais gente.

Pacotes / Grupos de apps

Buscando por aplicativos que fizessem meu sistema ficar mais amigável achei três iniciativas bem legais que uso de uma forma ou de outra.
A primeira delas é o Fossify. Trata-se de uma iniciativa de desenvolver aplicativos open-source e livres de publicidade. Há aplicativos bem legais na lista e tenho usado todos deles. A lista completa compreende Telefone, Galeria, Camera, Mensagens, Calendário, Contatos, Gerenciador de arquivos, Calculadora, Gravador de áudio, Notas, Player de Música e Relógio.
Há uma opção bacana de você pagar uma única vez para ajudar no desenvolvimento. Eu paguei e acho que é legal colaborar quando a gente pode. É bem bacana ter este tipo de opção.

A segunda iniciativa que eu achei foi a Monocles. Esta iniciativa é bem interessante e muito voltada para a privacidade. Há um cliente de Mastodon (com uma instância vinculada), um aplicativo para mensagens XMPP, um navegador com privacidade configurada para os níveis mais altos, um cliente de e-mail (um fork do K9 Mail), um serviço de e-mail, um de conferências, um aplicativo de tradução e uma plataforma de colaboração em nuvem. Achei muito legal. Já usei o cliente XMPP deles e gostei muito. Uso o app de e-mail que é perfeito em minha opinião. Ele funciona com qualquer endereço que você tenha. A iniciativa Monocles tem ainda um esquema de vender aparelhos de telefone com o sistema operacional deles e um serviço de transformar seu telefone Pixel em um Android mais limpo e privado (com o moculaOS ou o GrapheneOS). Isso deve ser muito bacana mas não creio que funcione para mim aqui no Brasil. Diferentemente do Fossify, você pode fazer a compra ou assinatura de serviços. Eu achei muito legal.

A terceira iniciativa com a qual topei nessa minha busca é o Goodwy.dev e o seu pacote chamado Alright, que tem Calculadora, Galeria, Contatos, Mensagens e Telefone. Todos são open-source e com um cuidado (de acordo com eles) com a privacidade. Os aplicativos são bem bonitos, funcionais e modernos. O visual se destaca. São bem polidos. Considero eventualmente usar alguns destes aplicativos porque me parecem bem legais.

Bem, certamente existem mais. Estes foram os que encontrei neste breve período de 4 meses usando Android e que me pareceram bem interessantes na sua totalidade ou em parte.

Seria essa uma ação de tentativa de restauração de imagem?

Não. É apenas mais um golpe.

Hoje, 27 de março de 2026, alguém acordou decidido a gastar uma grana com ações de tráfego pago no linkedin levando pessoas a sites – no mínimo suspeitos –  com conteúdos voltados a tentativa de limpeza da imagem de um certo dono de banco que encontra-se preso. Na real é um pouco mais do que isso. O conteúdo é um chamariz para um golpe.

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Num espaço de 5 minutos rolando o feed do linkedin fui bombardeado por 13 postagens patrocinadas de páginas com 1 seguidor, nomes semelhantes, ícones parecidos, que publicaram links para 3 sites com conteúdos praticamente iguais tentando fazer um trabalho de reversão de imagem pública de uma certa pessoa.

A página de destino da ação busca enaltecer a imagem do banqueiro preso e mimetiza a identidade do portal UOL. A página é falsa. Os links não funcionam e este site não pertence ao UOL.

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A ação é recheada de péssimas intenções. No mínimo.

O conteúdo começa com um relato de entrevista (falsa) do banqueiro. Na sequência, a má intenção e o objetivo final: Venda de serviços de assessoria / acesso a uma plataforma de investimento (GOLPE).

Captura de tela de 2026-03-27 11-37-13

Desconfio que este golpe vai rolar ainda por muito tempo no linkedin. A plataforma está faturando enquanto incautos clicam nos links.

Apenas mais uma sexta-feira.

 

Pensamentos a queima-roupa sobre o canarinho de três pernas

Ontem foi postado no perfil oficial da CBF no Instagram este vídeo que eu roubei de uma postagem no LinkedIn. O vídeo – sintético – mostra um canário de três pernas quebrando uma gaiola.

Em tese, esse pássaro simboliza a força da seleção brasileira de futebol (estamos em ano de copa do mundo) na ocasião do lançamento de novos uniformes da equipe. A postagem foi feita em parceria com a Nike, que é patrocinadora da seleção brasileira de futebol e fornece os uniformes para a esquadra. Guarde estes dois nomes: CBF e Nike.

Bem, qual é a questão? Para começar, é um material mal feito. Acho que se enquadra fácil na categoria de AI Slop. Demandou pouco esforço, é mal revisado, a qualidade dos elementos é ruim. Falta de vergonha na cara total. Coisa que não se espera destas duas marcas: Nike e CBF. Não se espera porque são marcas com muita verba e capacidade para fazer coisas bem feitas.

Estas duas marcas têm condições de contratar um profissional que vai ilustrar um canário bem estiloso, em uma gaiola bem legal e fazer este canário evidenciar a força rompendo as grades da gaiola. Só que elas não fizeram isso. Minha impressão: preguiça, falta de critério e de vergonha na cara.

Quando esta coisa de fazer imagens e vídeos usando ferramentas de geração de conteúdo apareceu eu comecei a ficar preocupado e passei a comentar em sala de aula bem como com colegas profissionais: a gente (publicitários) precisa ficar de olhos abertos para isso, porque seremos os primeiros prejudicados com a disseminação deste tipo de produção.

Um exemplo disso que não me canso de citar é o da prefeitura de Uilanópolis (Pará), que fez um vídeo gerado por este tipo de ferramentas em 2025 para divulgar a sua festa junina.

Na ocasião eu argumentei algo que vale a pena repetir aqui porque o exemplo da CBF repete o que foi feito pela tal prefeitura e me ajuda muito no ponto que estou defendendo aqui: Quando esta coisa de fazer vídeos apareceu uma coisa que passaram a falar em defesa do procedimento é que clientes com pouca ou nenhuma verba seriam os beneficiados por causa da facilidade de se produzir. Só que uma prefeitura não é um cliente com pouca ou nenhuma verba.

Pense no vídeo da prefeitura… Veja a quantidade de cenários, figurinos, enquadramentos, personagens, música… Muitos profissionais teriam sido empregados para fazer este vídeo: carpinteiros para fazer o cenário, produtores de elenco, atores, figurinistas, costureiras, técnicos de iluminação, elétrica, som, fotografia, operadores de câmera, editores, enfim… Muita gente teria trabalho para fazer um vídeo destes. Mas a prefeitura escolheu o caminho mais fácil, preguiçoso e barato. Repito: verba, não falta.

São os clientes grandes que estão escolhendo fazer estas porcarias e isso vai prejudicar muito o mercado publicitário.

O mesmo conjunto de argumentos pode ser usado para entendermos o tamanho da palhaçada que a CBF e a Nike fizeram. Poderiam ter contratado alguém para ilustrar, outra pessoa ou empresa para construir ou transformar o desenho em algo tridimensional, outra para fazer os efeitos e a animação. Alguém para trabalhar a composição final, direção de arte e montagem da peça. Sem mencionar a equipe criativa que trabalharia dando a direção. Muita gente exercitando funções, movimentando a economia e gerando um trabalho bacana. Mas escolheram o caminho mais fácil, porco e preguiçoso.

Infelizmente estes exemplos, somado ao da Coca-cola (que é um cliente que, convenhamos, tem dinheiro infinito), evidenciam que quem está aproveitando para fazer estas porcarias são os clientes grandes, empresas com muita verba e que poderiam facilmente contratar equipes, gerar empregos e ter trabalhos bonitos feitos por profissionais capacitados que estão usando e abusando das ferramentas de geração de conteúdo.

O resultado é o que se pode notar nos exemplos que eu coloquei aqui: peças sem personalidade, fracas, preguiçosas. Muito ruins no quesito criatividade. Geram uma repulsa e são visualmente bastante datadas. Marcadas pela falta de qualidade. O único resultado que este tipo de peça gera é o buzz negativo.

Agora, voltando ao canário… Pode ter sido uma escolha? Acho difícil. Se escolha fosse, quando apareceram as primeiras críticas (e foram muitas) a CBF retirou este material do seu perfil do Instagram. Como eu sei disso já que eu não tenho instagram? Mais uma informação que eu roubei do post do LinkedIn, escrito pelo Peçanha (achou que eu não daria o crédito, né?).

Hoje comentei isso em sala de aula e uma aluna ponderou: “mas a peça deu resultado, tanto que você está comentando sobre ela”.
O que respondi a ela repito aqui: Não é bem assim. Eu estou comentando porque sou um profissional de Comunicação que percebeu o impacto negativo desta ação. Este não é o tipo de reverberação que faz bem para a marca. Por mais que pessoas estejam falando da CBF e da Nike, não são conteúdos positivos. Nem todo barulho que se faz pode ser bom para a marca.

Estes exemplos de peças mostram que o público geral rapidamente esquece das ações porque elas são ruins e feitas sem qualquer cuidado estratégico ou tático com a qualidade. Estas três peças poderiam ter sido feitas de forma muito diferente, por seres humanos, com muita qualidade e serem produtos de comunicação publicitária memoráveis que as pessoas se lembram e gostam de ter visto. Não é o caso. Então não acho que o canário de três peças seja eficiente em nenhum sentido além de evidenciar que estas ferramentas devem ser evitadas. E não acho que as ferramentas vão melhorar e as peças vão ficar mais bacanas no futuro. Para mim o problema não é a qualidade técnica da ferramenta; é anterior a isso.

Não é só porque a tecnologia existe que a gente tem que usar. Não é só porque dá para fazer de um jeito, que as coisas precisam ser feitas desse jeito. A pior coisa que um ser humano conseguir fazer com seus próprios méritos será infinitamente superior à coisa mais sofisticada que uma ferramenta dessas solta.

E não adianta vir com o argumento de que quem fez os prompts merece os créditos. Fazer uma peça bacana de publicidade não é fazer um prompt legal, é saber tocar as pessoas. Nenhuma destas peças toca. Estes exemplos apenas aproximam estas marcas da mediocridade.

Uma big tech por vez

Quando se fala em DeGoogle, um enorme desafio se desvela.

DeGoogle, como o próprio nome sugere, significa, em primeira leitura, remover o Google de sua vida. Mas o conceito vai além. DeGoogle também representa remover qualquer empresa gigante que explora seus dados pessoais, hábitos e qualquer outra coisa que possa ser coletada para trabalhar isso e gerar lucro a partir do que descobrem de nossas vidas. Basicamente, então, DeGoogle é tentar viver menos dependente de empresas Big Tech. Por isso o desafio imediato é enorme. Mas não precisa ser assustador.

Estamos falando de Google, Facebook, Microsoft, Amazon, Apple… É muita coisa.

Tentar retirar todos os produtos de todas estas empresas de nossas vidas de uma vez só pode ser extremamente desafiador. Então, uma sugestão pode ser: Retire uma delas por vez. Retire o que der. Você não precisa eliminar tudo. No entanto, quanto mais conseguir, melhor.

Comece aos poucos. A Microsoft talvez seja uma das mais fáceis de eliminar de nossas vidas. O Windows não é inevitável. Você pode comprar um Mac (depois falo da peculiaridade de Apple e Amazon neste contexto. Não agora) ou instalar um sistema baseado em Linux. O Office não é inevitável. O Teams não é inevitável. Você pode até trabalhar numa empresa que usa Teams e Outlook, mas não precisa ter Windows instalado para usar estes serviços. Eu mesmo uso estes produtos por causa do trabalho, mas consigo manter tudo isolado em perfis separados no meu computador. Acesso o Teams para trabalhar sem que isso aconteça no mesmo espaço onde faço minhas compras e uso o computador para resolver questões pessoais.

É plenamente possível usar um sistema baseado em Linux e usar uma suite de aplicativos de produtividade que não seja ruim para você como o Office é. Há o LibreOffice, o OnlyOffice, o WPS Office e por aí vai. Opções abundam; tanto de distribuições Linux quanto de pacotes de produtividade. Se você usa o OneDrive para armazenamento e sincronização de arquivos, há muitas opções, inclusive tão baratas quanto, para você ter a mesma solução que a Microsoft oferece.

Se você remover a Microsoft de sua vida, já está em um excelente caminho. O mesmo raciocínio pode ser aplicado para as outras empresas. Uma de cada vez. Um serviço de cada vez. O importante é começar.

 

How To Fix The Web According To The Man Who Invented It

The inventor of the World Wide Web, Tim Berners-Lee, has written a new memoir called This is for Everyone. More than 35 years after he built the first website, he reflects on the amazing technological change his creation brought about. He also talks about where things have gone wrong – and what can be done about this.

Video by New Scientist.

Comprando um número virtual para usar o WhatsApp Business

Em dezembro, quando eu troquei de telefone celular, decidi que no telefone novo não entraria nada da META.

Pra mim, executar isso é relativamente fácil. O único produto da META que eu preciso usar com regularidade é o WhatsApp. No meu trabalho, algumas coisas acabam acontecendo – por força do hábito de colegas – pelo WhatsApp. Num passado eu tentei levar o pessoal para outra plataforma. Até funcionou por um tempo, mas há coisas que fogem de meu poder de decisão e o WhatsApp foi restabelecido.

Enfim. Eu havia decidido que usaria o WhatsApp apenas para trabalho, então.
Com a troca de telefone, minha primeira ideia foi a de manter o telefone velho com um chip pré-pago para usar o WhatsApp. A ideia é bacana. Entretanto, demanda que eu fique com o celular carregado e conectado sempre. Isso nem tanto é um problema. Eu havia colocado um eSIM da Claro nele. Mensalmente estava colocando carga de 15 reais para poder deixar tudo funcionando. Só que vez ou outra eu deixava o telefone descarregava e isso causava certo transtorno. Então eu me lembrei que muitas empresas usam números fixos para WhatsApp e isso poderia ser uma saída.

Fiz algumas pesquisas e descobri algumas empresas que prestam este serviço. Reuní tudo numa pequena planilha para me ajudar a decidir. Hoje resolvi fazer uma experiência e comprei um número fixo virtual da Telera. Me custará 10,99 por mês. Menos do que os 15,00 que eu estava colocando em carga no pré-pago da Claro. Além da economia de 60,00 anuais eu poderei deixar o telefone celular desligado. O aplicativo só se faz necessário em poucas ocasiões. Dá para manejar legal.

Recomendo esta jogada. Como eu uso o WhatsApp apenas para trabalho, ele funciona bem no computador e, quando estou fora do computador, ele vira uma caixa de recados. Respondo quando voltar.

Sei que há operadoras de telefonia móvel que oferecem serviços similares. A Fluke tem um plano mais ou menos semelhante ao que eu fiz com a Telera por 9,90. Mas é um eSIM e requer o telefone ligado. Se isso não for um impedimento, a Fluke é uma boa opção para quem ficar receoso com a nota 6 da Telera no Reclame Aqui.

O setup foi relativamente fácil. Há um passo-a-passo no sistema da Telera que te ajuda. Importante ter o cadastro completo (com foto do RG e selfie enviada pra eles) antes de começar a configurar. Claro, sempre rola um receio de fazer isso. Mas fiz e vamos ver o que rola. Seguirei monitorando as consultas ao meu CPF no SERASA para ver se algo foi usado maliciosamente (espero que não).

Uma dica importante: no passo-a-passo da Telera o código de validação da sua linha fixa para o WhatsApp Business vai chegar por SMS no celular que você cadastrou no sistema deles. Na tela do passo-a-passo, ficamos com a impressão que o numero vai aparecer no computador. Isso fez com que eu vacilasse na primeira vez que tentei e o processo precisou ser adiado em duas horas (prazo da Meta).

Enfim, agora que você já sabe disso pode mandar ver e lembre da importância de ter o cadastro completo antes de fazer a configuração.