Semana passada foi lançado o projeto Revelando. É uma derivação do Calma Urgente. De acordo com o que foi divulgado no canal do Calma Urgente, o Revelando é uma nova série de reportagens sobre histórias que marcaram o país e impactam o Brasil até hoje. O primeiro episódio foi com a Samara Felippo e abordou a história da Eugenia no Brasil, passando por os casos de esterilização forçada, e como essa ideologia está presente até hoje nos discursos presentes na internet.
O segundo episódio foi com o Fábio Porchat e tratou da relação entre Vorcaro, a Igreja Batista da Lagoinha e Flávio Bolsonaro.
Este segundo episódio deu o que falar. Em menos de 24 horas o vídeo havia sido assistido por mais de um milhão de pessoas no YouTube. O material tem circulado de forma frenética. Há uma presença também no Instagram. Poderia ser até mais, não foi porque a Meta retirou o perfil do Revelando do Instagram do ar no dia 23 de setembro, um dia depois da publicação do vídeo.
A derrubada do perfil no Instagram fez um enorme barulho e, rapidamente, a conta foi restabelecida. Muita gente comentou, claro. Inclusive o pessoal da iniciativa [CTRL+Z].
Eu vi o texto do [CTRL+Z] sobre a derrubada e fiquei pensando um monte de coisas. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: qual o motivo de a Meta ter feito isso? Outra coisa: Por que raios a Meta derruba isso e não fez nada com os conteúdos falaciosos que o Nikolas Ferreira publicou há um tempo sobre o PIX e recentemente sobre as vacinas e a epidemia de COVID? Claro, pensei também como nos parece errado e injusto que um material tão importante, que traz reflexões embasadas em fatos, seja retirado do ar pela empresa. Esta última é a reflexão que parece que todo mundo está fazendo.
Só que eu tenho um comichão que me faz ir um pouco além. Penso que que, paralelamente, devemos refletir sobre como a gente deixou as coisas se desenrolarem até o ponto de construir a impressão de que a Meta é infraestrutura pública de comunicação? E se a gente simplesmente nem usasse mais esta plataforma?
Plataformas comerciais não são praças públicas. A gente é levado a pensar nessa direção a partir da retórica das próprias plataformas. Só que elas tem muito mais a cara de praças de alimentação de shopping do que de praças públicas. Soberania digital também se relaciona a isso. Ao invés de dependermos de infraestruturas comerciais privadas, a gente deveria pensar em migrar para estruturas diferentes de comunicação. A internet já nos fornece isso. Preguiçosamente a gente acaba escolhendo a solução de plataformas como as da Meta, o que é bastante negativo.
No contexto atual, parece impossível uma realidade onde este conteúdo não estivesse sob o domínio da Meta. Mas eu entendo que este outro contexto é possível. A gente não precisa de uma empresa que atua como entregadora de conteúdo para o mundo. Époder demais e algo que estamos vendo (este é só o exemplo mais recente) que o poder acumulado por estas organizações não é saudável para a sociedade como um todo.





