253 dias

No dia 17 de dezembro de 2025 eu troquei de celular e, naquele dia, decidi que não mais instalaria o whatsapp em meu telefone pessoal. Para muitas coisas do trabalho o WhatsApp é utilizado e eu havia decidido que manteria um numero extra apenas para o WhatsApp e para as coisas do trabalho.

Funcionou bem por 253 dias. Na verdade, segue funcionando. Entretanto, hoje eu resolvi que o embate logístico de ter que às vezes carrergar dois aparelhos, ficar transferindo coisas de um aparelho para o outro para resolver problemas e atender pendências simplesmente me cansou demais. Coloquei o WhatsApp no aparelho pessoal e estou aposentando de vez o aparelho antigo.

Eu poderia ter continuado? Claro que poderia. Não é impossível ter o WhatsApp descolado de sua vida pessoal. E é isso que pretendo seguir fazendo. O aplicativo seguirá sendo usado para questões profissionais, apenas. Quero ainda automatizar o processo de, quando fora do horário de trabalho, simplesmente desligar as notificações.

Estes produtos oferecidos por gigantes de tech não são inevitáveis. A gente escolhe o caminho com o menor esforço. São coisas distintas.

Internet e Web não são sinônimos

Uma coisa que eu dedico uns bons 20 minutos de minhas primeiras aulas da disciplina de Comunicação e Cultura Digital é a diferença entre a Web e a Internet. Faço isso porque entendo que para entender comunicação digital precisamos entender conceitos básicos. Por mais que a gente ache que já os sabe.

A prova da necessidade desse investimento de tempo na aula logo na primeira sessão foi demonstrada ontem. Veja imagem abaixo recebida em uma das várias newsletters que eu assino:

Perceba que ao final do parágrafo os jornalistas indicam que a Web e a Internet são a mesma coisa.

Isso é errado. A Internet é a rede das redes (Internet significa INTERconnected NETworks). A Internet é a estrutura. É a rede da sua casa, ligada à rede do seu provedor, que se liga às redes de diversos outros provedores e forma a rede que liga todas as outras por meio do protocolo TCP/IP (Transmission Control Protocol / Internet Protocol).

Isso não é detalhe. A minha preocupação na aula é a de justamente formar profissionais de  Comunicação que não cometam o erro acima. Esse é um erro que indica que você não sabe do que está falando. Pra mim, é um erro grave. Daqui ha pouco, alguma ferramenta geradora de lero-lero vai se apropriar deste texto da newsletter e começar a falar mais besteira para pessoas que buscam informações nestes lugares.

Então, de uma vez por todas. A Web é um pedaço da Internet. É um subconjunto. Criada pelo Tim Berners-Lee na virada dos anos 1980 para 1990. A Internet já existia há um bom tempo quando a web foi criada.

Em minha primeira aula da disciplina eu procuro deixar isso bem claro.

A Web é um subconjunto próprio da Internet, e a diferença entre Internet e Web (Internet menos Web) não é vazia – ou seja, existem serviços na Internet que não são Web.

A Web é um subconjunto próprio da Internet, e a diferença entre Internet e Web (Internet menos Web) não é vazia – ou seja, existem serviços na Internet que não são Web.

Encontrei um erro no livro do Fernando Morais

Estou lendo a segunda parte a biografia do Lula, escrita pelo Fernando Morais. O livro é muito bacana, à exemplo do primeiro. A leitura é fluida e a gente pode ter acesso a uma série de eventos e dados que passaram batido ou que ficaram lá enterrados na memória.

Por exemplo: eu não me lembrava que a Erundina havia sido ministra do Itamar. Isso me passou batido. Achei o contexto e a história em torno deste fato bastante interessantes.

Só que eu encontrei um errinho neste segundo volume que me deixou com a pulga atrás da orelha.

Estou no trecho em que é retratada a primeira Caravana da Cidadania, em que Lula percorreu boa parte do país em sua campanha para as eleições de 1994. O ano da Caravana é 1993. No trecho em questão o autor fala do esforço que a equipe tinha em preparar a Caravana com informações sobre as cidades pelas quais iriam passar. Fala do contexto anterior à internet em que as pesquisas sobre as cidades precisavam ser feitas manualmente e presencialmente em diferentes órgãos e consultando variadas fontes de informação. Daí o autor coloca uma curiosidade sobre Varginha e o incidente com a suposta aparição de ETs.

Ok, interessante ver vertentes políticas diferentes com interpretações e estratégias distintas sobre como explorar o ocorrido na cidade. Isso é informação interessante. Só que tem um problema. O ocorrido em Varginha foi em 1996. A Caravana da Cidadania aconteceu em 1993/1994. Então o tempo não casa. Há um erro ali. Eu detectei o erro porque me lembro bem dessa época. Mas… a pulga que ficou atrás de minha orelha é: e as outras coisas que eu possívelmentente não peguei? Agora eu vou terminar a minha leitura com um olhar um pouco diferente…

How I managed to stop KMail notifications after uninstalling it

I never sit still. I’m always coming up with something to keep myself busy, and I often end up complicating things. The upside is that I occasionally learn something new.

A few months ago, when I decided to switch from Mint to Debian with KDE, I also gave KMail a try. It’s an excellent email client, but it lacks an integrated calendar, so I had to use Merkuro (which isn’t quite ready yet) and later KOrganizer.

The problem was that neither KMail nor KOrganizer is available on Android, so I was using Thunderbird on my phone. That’s when I decided to use Thunderbird on my computer as well; I uninstalled KMail and moved on with Thunderbird.

However, for some reason I didn’t understand at the time, KMail kept sending me notifications about new emails even though it was no longer installed.

That’s when I learned that KMail relies on a host of other KDE services; even after the program is deleted, these services—which are shared by other packages—remain installed. One of them handles notifications.

The easiest way to stop receiving notifications from KMail, unfortunately, is to reinstall it and remove the email accounts and disable notifications in settings. There are threads in various forums going back a few years with users who have the same issue.

So, I had to reinstall KMail, remove my email account from it, and then uninstall the software again. This time, the notifications stopped, and now I’m only alerted by Thunderbird when a new message arrives.

Deceptive design aplicado nas opções de IA do Firefox

Aqui vemos um exemplo deceptive design pattern ao vivo em seu ambiente natural.

Os controles para desligar as ferramentas de IA no Firefox poderiam ser bem melhores. Há uma série de ações de design que parecem (estou usando de eufemismos) ter sido pensadas para confundir os usuários.

A começar pela forma que são colocadas as principais opções. Infelizmente deve-se levar em conta o fato de que as ferramentas vêm ligadas por padrão, quando deveria ser o contrário. Daí essa inversão mudaria tudo. Entretanto, a escolha feita faz com que o comando venha de uma forma que não parece a mais lógica para o usuário. você deve ligar o toggle para que seja desligada a IA. E ainda colocam o verbo BLOCK para deixar tudo mais confuso.

O uso deste verbo e a escolha da interface proporcionam uma combinação péssima que confunde as pessoas. Você liga o toggle para desligar as funcionalidades de IA.

Isso não é coisa feita por amadores. É gente experiente na arte de enganar. Muito decepcionante ver o Firefox fazendo isso.

A aula de ontem poderia ter sido um tiktok

Acordei hoje pensando na aula que dei ontem. Não foi muito diferente das que lecionei ao longo do semestre.

22 alunos presentes. 13 alunos ausentes. Isso na chamada. Na realidade eu falei com as paredes por uma hora e quarenta minutos. Todos ausentes.

Estava terminando um texto que fala do Capitalismo de Vigilância (https://journals.sagepub.com/doi/10.1057/jit.2015.5). Um dos assuntos finais da disciplina.

Na minha cabeça, este é um assunto muito legal, mas acho que os alunos não pensam da mesma forma.

Pensando bem acho que a disciplina inteira deve ter sido um sofrimento para eles. Talvez seja o formato de aula expositiva. Mas como fazer com que uma turma leia os textos e engaje com assuntos que não lhes parecem ser interessantes?

Para o próximo semestre, repensarei este conteúdo por completo. A forma das aulas talvez seja a maior dificuldade e a coisa mais difícil de alterar. É conteúdo teórico, repleto de conceitos e de contextualização histórica. Difícil pensar em um formato diferente para trabalhar…

Tento evitar a todo custo usar aulas para passar videos. Deixo as referencias de videos para que os alunos assistam em outros momentos. Durante todo o semestre reforcei com os alunos que acho que os encontros em sala de aula são melhor aproveitados com debates e conversas sobre os textos. Só que ninguém leu os textos ao longo do semestre e eu fiquei falando sozinho.

Pode ser que o que eu falo seja assunto que eles já conheçam e do qual estejam cansados. Talvez seja a minha abordagem que é ultrapassada.

Olhando em retrospecto talvez fosse melhor ficar passando vídeos…

Viva a internet!

Esta dica é super bacana para quem, como eu, vira e mexe, passa raiva com a FSP bloqueando a cópia de textos.

Frequentemente eu uso textos de colunistas da Folha ou do UOL para ilustrar discussões em sala de aula. Fazer a transposição do site para um PDF e depois compartilhar é sempre um parto. Hoje eu descobri esta dica, que achei bastante providencial: Como copiar textos da Folha e outros sites que não deixam.

Acabo de usar a dica do Tiago Madeira para transformar um texto em material de discussão referente aos impactos da adoção de GenIA na sociedade. Funcionou que foi uma beleza.

A inteligência artificial é tão inteligente…

Eu adoro a inteligência artificial. Ela é tão inteligente! Vai revolucionar o meu dia-a-dia.

De certo, vou ponhar meu computador para trabalhar tal qual a inteligência artificial me recomendou.

Agora sério… Você confiaria em um produto que se intitula “Inteligência Artificial” e que inventa de usar ponhar da forma como a que está aplicada nesta frase?

Entendo que por mais que seja um regionalismo e que algumas circunstâncias o uso é até aceito, você não acha que a ferramenta deveria ser inteligente o suficiente para saber que eu não estou no interior do estado de São Paulo e muito menos no Rio Grande do Sul (onde este uso é parcialmente aceito, embora considerado coloquial)? Mesmo se fosse este o caso, a conjugação verbal está equivocada. Para uma ferramenta que algumas pessoas (lunáticos, eu sei) acham que vai aniquilar com empregos de boa parcela da população, um erro desse tipo é inaceitável.

De qualquer forma, acho que tem sido dado crédito demais para estas ferramentas. A nossa sociedade está desenvolvendo uma dependência perigosa destas ferramentas de geração de conteúdo a partir de prompts.

Com estas ferramentas, claro, as respostas chegam rapidamente. Entretanto, não há aprendizado. Esta etapa está sendo pulada. As pessoas acham que estão ganhando tempo, mas isso não está acontecendo. O que ocorre é a criação de dependência por estas respostas rápidas que, sem o devido repertório e conhecimento para poder checar, nem se sabe se são corretas. Mas isso não é o importante imediatamente. O que é importante é que o prompt foi respondido e que agora podemos fazer a próxima tarefa. Uma hora a conta vai chegar. O aprendizado que não aconteceu será cobrado e estes profissionais serão desafiados. Só que sem saber como aprender, a bomba vai estourar.

You are being identified and tracked by YouTube when you share something from their platforms

I listen to music very loudly in my headphones and sing/scream silently while walking my dog on the streets.

Every now and then I share the songs I listen to on my mastodon profile. When I do this, I take care to remove the identifying information that YouTube has started putting in all the URLs that we share from its video or music platforms.

To remove it is easy, just delete the part that has the code “&si=xxxx…”. This is the identifying and tracking information that YouTube forcibly places in all the URLs of the materials we share from its platforms.

I recommend that you also remove this information whenever you share something from there.

Entendedores entenderão

E se a gente decidisse fornecer menos dados para as grandes plataformas? E se a gente resolvesse tirar nossos dados das grandes plataformas?

Eu já não tenho nada da Meta em minha vida pessoal. Estou próximo de não ter nada da Microsoft em minha vida pessoal também. O linkedin é uma última coisa da Microsoft que ainda tenho atrelado a um e-mail pessoal. Resolvi fazer uma coisa diferente com esta plataforma, que preciso usar para uma parte de meu trabalho.

Eu resolvi remover todas as minhas informações pessoais possíveis do meu perfil no linkedin. Tudo bem que a plataforma já sabe muito sobre mim, mas minha decisão é a de que ela não vai saber mais nada sobre mim a partir de agora.

Removi todas as minhas experiências e informações de formação. Sou apenas um perfil lá com conexões já estabelecidas. Novas conexões, claro. Sempre muito bem vindas. Quem me conhece pessoalmente sabe o que eu faço então não precisa ter isso estampado em meu perfil.

Sei que não é a situação de mundo perfeito, mas é o que dá para fazer sem prejudicar meu trabalho. De qualquer forma, quanto menos informações as plataformas tiverem sobre mim, melhor.