The inventor of the World Wide Web, Tim Berners-Lee, has written a new memoir called This is for Everyone. More than 35 years after he built the first website, he reflects on the amazing technological change his creation brought about. He also talks about where things have gone wrong – and what can be done about this.
Em dezembro, quando eu troquei de telefone celular, decidi que no telefone novo não entraria nada da META.
Pra mim, executar isso é relativamente fácil. O único produto da META que eu preciso usar com regularidade é o WhatsApp. No meu trabalho, algumas coisas acabam acontecendo – por força do hábito de colegas – pelo WhatsApp. Num passado eu tentei levar o pessoal para outra plataforma. Até funcionou por um tempo, mas há coisas que fogem de meu poder de decisão e o WhatsApp foi restabelecido.
Enfim. Eu havia decidido que usaria o WhatsApp apenas para trabalho, então.
Com a troca de telefone, minha primeira ideia foi a de manter o telefone velho com um chip pré-pago para usar o WhatsApp. A ideia é bacana. Entretanto, demanda que eu fique com o celular carregado e conectado sempre. Isso nem tanto é um problema. Eu havia colocado um eSIM da Claro nele. Mensalmente estava colocando carga de 15 reais para poder deixar tudo funcionando. Só que vez ou outra eu deixava o telefone descarregava e isso causava certo transtorno. Então eu me lembrei que muitas empresas usam números fixos para WhatsApp e isso poderia ser uma saída.
Fiz algumas pesquisas e descobri algumas empresas que prestam este serviço. Reuní tudo numa pequena planilha para me ajudar a decidir. Hoje resolvi fazer uma experiência e comprei um número fixo virtual da Telera. Me custará 10,99 por mês. Menos do que os 15,00 que eu estava colocando em carga no pré-pago da Claro. Além da economia de 60,00 anuais eu poderei deixar o telefone celular desligado. O aplicativo só se faz necessário em poucas ocasiões. Dá para manejar legal.
Recomendo esta jogada. Como eu uso o WhatsApp apenas para trabalho, ele funciona bem no computador e, quando estou fora do computador, ele vira uma caixa de recados. Respondo quando voltar.
Sei que há operadoras de telefonia móvel que oferecem serviços similares. A Fluke tem um plano mais ou menos semelhante ao que eu fiz com a Telera por 9,90. Mas é um eSIM e requer o telefone ligado. Se isso não for um impedimento, a Fluke é uma boa opção para quem ficar receoso com a nota 6 da Telera no Reclame Aqui.
O setup foi relativamente fácil. Há um passo-a-passo no sistema da Telera que te ajuda. Importante ter o cadastro completo (com foto do RG e selfie enviada pra eles) antes de começar a configurar. Claro, sempre rola um receio de fazer isso. Mas fiz e vamos ver o que rola. Seguirei monitorando as consultas ao meu CPF no SERASA para ver se algo foi usado maliciosamente (espero que não).
Uma dica importante: no passo-a-passo da Telera o código de validação da sua linha fixa para o WhatsApp Business vai chegar por SMS no celular que você cadastrou no sistema deles. Na tela do passo-a-passo, ficamos com a impressão que o numero vai aparecer no computador. Isso fez com que eu vacilasse na primeira vez que tentei e o processo precisou ser adiado em duas horas (prazo da Meta).
Enfim, agora que você já sabe disso pode mandar ver e lembre da importância de ter o cadastro completo antes de fazer a configuração.
A primeira vez que eu tive contato com a ideia de que “cada $ que você gasta em algo é um ‘voto’ que você dá para esta coisa” foi no livro Rework, do Jason Fried.
A ideia é mais ou menos essa: se você quer que um negócio local prospere, a melhor coisa que você pode fazer é consumir os produtos desse negócio repetidas vezes. O mesmo vale para plataformas e serviços que usamos na internet. Em tempos de economia da atenção, cada segundo que passamos em uma dada plataforma é um ‘voto’ que damos para esta plataforma e um incentivo para que ela continue existindo.
Nesse sentido, se você acha que uma plataforma não é bacana, a melhor coisa que você pode fazer é parar de usar aquela plataforma.
Desde o que aconteceu nas eleições norte-americanas de 2016 e ficou escancarado no caso da Cambridge Analytica, várias luzes vermelhas acenderam e eu passei a ter um crescente nojo/ódio do Facebook e de suas plataformas por proporcionarem isso, negarem os impactos e repetidas vezes se colocarem do lado mais babaca da história.
Sobre o assunto, recomendo algumas leituras e produções audiovisuais:
Enfim… desde então eu fui reduzindo o uso das plataformas do Facebook e tentando me retirar completamente delas. A motivação é simples: cada segundo que eu passo numa das plataformas do Facebook, é um ‘voto’ dado a elas. E eu não quero dar este voto.
Falando nisso, eu alterno entre Facebook e Meta para me referenciar à empresa e gosto sempre de reforçar que essa bobagem de metaverso foi um excelente caso de rebranding e controle de danos que deveria estar em todos os livros básicos de gestão de marcas para ensinar através de um caso real. Mas estou digressando…
Algumas pessoas argumentam ser ‘impossível’ abandonar o WhatsApp ou o Instagram (isso já foi discutido, por exemplo, no Calma Urgente [1, 2] e no Manual do Usuário). Bem, eu acredito ser plenamente possível.
Eu estou sem nada da Meta/Facebook em meu telefone pessoal desde dezembro de 2025. Troquei de telefone e optei por não instalar nada. Comprei um chip pré-pago para manter no telefone antigo apenas porque alguns grupos de trabalho ainda funcionam no WhatsApp. Minha vida está correndo tranquilamente. O WhatsApp pra mim, hoje, é como um e-mail profissional (já que muita coisa do trabalho acontece apenas por lá).
Nesse sentido, eu digo que sim, é plenamente possível viver sem. Afinal de contas, meu trabalho não é a minha vida.
O telefone com WhatsApp fica em uma gaveta. Configurei a conta para dar uma resposta automática a quem fizer contato por lá dando meu handle no Signal e meus e-mails. Isso para o caso de mensagens urgentes.
Fiz consultas e exames médicos no início do mês de janeiro de 2026 e marquei tudo pelo telefone. Sem WhatsApp.
A vida é plenamente possível sem aplicativos da Meta.
O telefone com WhatsApp é cada vez menos usado. Por dias passa na gaveta descarregado até eu lembrar que ele existe. Quando eu o ligo há pouca coisa (quase nada) para ver no WhatsApp.
Reforçando o que o Jaron Lenier fala em “O dilema das redes”, eu acho o cúmulo do absurdo que, para trocar uma mensagem com um colega de trabalho que está a 20 metros de minha sala, a nossa conversa precise passar por um servidor da Meta em outro país e seu conteúdo ser usado para alimentar ferramentas de publicidade altamente direcionada que vão afetar os dois interlocutores da conversa no Instagram.
Pois bem. Eu tenho para mim que a Meta e seus diferentes produtos representam um câncer em nossa sociedade. Recentemente tive a ideia de – para além de não usar seus produtos – alertar outras pessoas para os perigos. Uma das coisas que quero fazer é uma camiseta para silenciosamente mostrar nas ruas a ideia. Cheguei a essa estampa:
Fique à vontade para usar o arquivo e fazer a sua camiseta também. Pode modificar o quanto quiser. O arquivo foi feito no Krita e o tipo de letra usado é este.
Estava aqui pensando comigo mesmo que eu li todos os livros do Daniel Suarez. Sem sombra de dúvidas, um de meus autores favoritos!
Embora o meu preferido seja o Influx, tenho especial carinho pelo Daemon/Freedom.
Na real todos são bons. Mas estava pensando no livro mais recentemente lido: Critical Mass. Estava pensando como o livro deixa a gente numa espécie de cliffhanger porque há indícios (pelo menos eu entendi assim) de que uma personagem ainda esteja viva e em uma nova missão (que, até quase ao fim do livro, é desconhecida), no espaço. O livro acaba e eu fico com essa dúvida.
Daí hoje eu topei com esta postagem sobre o livro e uma frase me chamou a atenção: “Set after the events of Delta-v, the first novel in Suarez’s projected Delta-V trilogy“. Peraí, então foi planejada uma trilogia! Há esperanças de que um terceiro livro ainda seja escrito / lançado para falar o que possivelmente aconteceu com esta personagem? Isso é muito bom!
Enquanto isso sigo lendo a trilogia Silo (ainda no primeiro) e curtindo.
“Todo mundo” (generalização proveniente do senso comum) se enxerga como digitalmente alfabetizado. De igual maneira, “todo mundo” que já precisou começar e terminar um texto no Word ou fez uma autossoma no Excel se acha usuário avançado do Office. Fato é que nem todo mundo é qualquer das coisas. Nesse sentido, a argumentação do senso comum é a de que bloquear acesso às plataformas sociais até os 16 anos é “exagerado”. Na mesma lógica, é falacioso o argumento de que o que importa é o que as pessoas acessam e que o tempo de tela é menos relevante.
Novamente duas concepções equivocadas. Equivalem-se à lógica do poder do controle remoto que seria o instrumento que ajudaria as pessoas a escolherem programas de TV de alta qualidade em detrimento de programas apelativos e de baixo teor de reflexão. Isso é tão equivocado e distante da realidade que estamos entrando na 26ª temporada do Big Brother Brasil e o Luciano Huck segue reinando aos domingos. Ou seja: a argumentação de que a sociedade já está equipada para decidir o que deve consumir e o faz pensando em qualidade é completa bobagem. A restrição ou mesmo a proibição do acesso a plataformas de mídia social não deve ser encarada como punição ou censura. É cuidado.
Paralelamente a essas ações de restrição de acesso, devem existir ações educativas para que se compreenda o funcionamento dos dispositivos, das plataformas e das demais ferramentas e recursos que orbitam nesse sistema. Isso é importante para capacitar minimamente as pessoas ao uso de tecnologias digitais interativas.
Isso tem relevância porque precisamos coletivamente saber lidar com todos os recursos que usamos em nosso cotidiano. Quando éramos crianças, adultos responsáveis nos ensinaram a operar um fogão de modo que não nos machucássemos e nem que provocássemos acidentes mais graves.
Hoje não há qualquer paralelo a estes ensinamentos com relação ao digital. No entanto, o digital faz parte de nossas vidas tal qual o fogão e usamos smartphones com maior frequência do que usamos o fogão. Embora os riscos de acidentes físicos não sejam tão imediatos quanto os riscos do uso do fogão, as consequências e a extensão dos estragos podem ser muito superiores. Desde a disseminação de desinformação até o risco de prejuízo financeiro por golpes ou mesmo as questões de segurança cibernética e, claro, a saúde mental.
Entendo que causa enorme preguiça considerar isso tudo quando o que parece estar envolvido é “apenas” a ação de rolar a tela e assistir videos curtos numa plataforma qualquer. Mas é importante considerar que usar uma plataforma social é algo muito mais complexo e proporciona imediatamente muito mais consequências do que fazer pipoca no fogão.
A ausência de cuidados com a alfabetização digital é de interesse das plataformas. Afinal, qual o benefício para elas das pessoas saberem que seus serviços são usados para a coleta extensiva de dados comportamentais das pessoas?
Colocar a questão da alfabetização digital em segundo plano tem consequências graves. Para a segurança, por exemplo, há graves impactos com estragos potenciais enormes quando uma pessoa decide instalar uma VPN em seu celular para acessar um aplicativo com restrição de uso em seu país ou mesmo para consumir conteúdo específico numa plataforma de streaming. Entretanto, nada ou quase nada sobre isso é colocado em pauta.
De maneira semelhante, não se conversa sobre as formas de identificar conteúdo sintético ou de se proteger contra golpes em plataformas sociais e aplicativos de namoro. O que se faz é culpar e ridicularizar as vítimas depois que o golpe é descoberto ao mesmo tempo em que se trabalha a sedução de encontrar o grande amor da vida pela tela do celular.
Não se conversa sobre as consequências de encaminhar vídeo sintético em aplicativos de mensagens (ainda mais em contexto político-eleitoral). Não se fala sobre como fazer a leitura de um vídeo de “análise política” antes de acreditar ou mesmo repassar em massa. Ainda assim, coletivamente, as pessoas tendem a afirmar proficiência no digital. Só que “usar muito” não significa ser proficiente.
E nisso a gente vai se enganando achando que o acesso a essas plataformas deve ser irrestrito e que o que importa é “seguir as pessoas certas”. Nada mais longe do adequado.
Podcasts são muito bacanas. Escuto vários e gosto muito de me manter informado sobre temas específicos que me interessam mas que não são, digamos, a coisa mais comum de achar por aí em noticiários. Eu gosto de ouvir as histórias do Darknet Diaries, que são sempre muito boas. Procuro ficar por dentro do que acontece nos confins da internet desde sempre acompanhando o P. J. Vogt desde a época do TLDR, passando pelo Reply All e agora no Search Engine. Outro que curto muito é o 99% invisible, que sempre tem algo bacana para ensinar e, para não falar que não escuto nada em português, o Medo e Delírio em Brasília, o Foro de Teresina, A Hora e o Boa Noite Internet também estão em minhas listas. Gosto muito também do formato de podcasts documentais. Escutar histórias e aprender por meio de relatos em áudio é muito bacana. This American Life e Land of the Giants que o digam.
Só que essas coisas vão e vem.
De vez em quando, sem bem perceber eu acabo mudando as coisas que escuto. Acho que deve ser a terceira vez em minha vida que eu dou uma pausa na audição constante de podcasts para escutar livros. Outro dia me peguei refletindo sobre isso quando uma colega professora me perguntou o que eu andava ouvindo (em termos de podcasts) e eu me dei conta, ao respondê-la, que havia algumas semanas que eu não escutava um episódio novo justamente porque havia voltado a escutar livros.
Embora exista quem não aprove ou não ache produtivo escutar livros, eu acho muito legal. Obviamente tenho em mente que o esforço cognitivo de escutar um livro é inferior ao de ler o livro no sentido estrito. Mas tudo bem. Além disso, tem a questão da distração e de estar escutando um livro enquanto faço outra coisa (em meu caso, normalmente esta outra coisa é estar dirigindo ou passeando com o cachorro aos finais de semana). De qualquer forma, da mesma maneira que a gente precisa de vez em quando voltar umas páginas quando está lendo um livro e se pega distraído e precisa ler novamente um trecho para entender melhor, quando isso acontece com um audiolivro, eu volto alguns minutos e tento entender melhor o que acabou de ser falado.
Fato é que escutar livros é muito bom.
Prefiro ouvir livros de ficção mas não me prendo a eles. Recentemente ouvi o “This is for everyone” do Tim-Berners Lee – lido pelo Stephen Fry – e também o “Technofeudalism”, lido pelo próprio autor, Yánis Varoufakis. Ambos são não-ficção. Também passei pelo “Careless people”, que me fez passar enorme raiva da Meta, da Sheryl Sandberg e do Mark Zuckerberg (se fosse possível ter mais raiva deles), escrito pela Sarah Wynn-Williams e o “Enshitification”, escrito pelo Cory Doctorow.
Antes deles passei pela belíssima trilogia de Liu Cixin: “The Three Body Problem“, “The Dark Forest” e “Death’s End” começando por aquilo que alguns consideram um prequel (mas não é) que é o “Ball Lightning“. São quatro livros fenomenais que recomendo imensamente. Ficção das boas. Talvez a leitura dos livros do Liu Cixin tenha sido uma experiência tão bacana quanto foi, anos atrás, ler os seis livros de Duna, do Frank Herbert.
Falando nisso, intercalando com as não ficções que falei acima, eu li os dois mais recentes do Daniel Suarez “Delta V” e “Critical Mass”. Este autor é fantástico. Dele eu também já havia lido “Daemon” e “Freedom”, “Kill decision”, “Influx” (o meu preferido dele) e “Change agent”. Estes todos, no entanto, li há mais tempo, acho que na segunda onda de audiolivros que eu entrei.
Ler ou ouvir?
Acima eu me peguei me referenciando a audição dos livros como leitura. Percebam que pra mim, ler e ouvir não são muito diferentes. Tanto que eu me refiro ao consumo de audiolivros como leituras. Certa vez eu ouvi o Leo Laporte falando isso (deve ter mais de 15 anos que ele falou isso em algum episódio do TWiT e a coisa ficou em minha cabeça) e eu simplesmente assimilei.
Enfim, sempre que penso nas controvérsias a respeito da qualidade (ou da falta dela) da audição de audiolivros eu me ponho a pensar em pessoas cegas. Será que as pessoas cegas – que se beneficiam enormemente de audiolivros – têm uma experiência de leitura, aprendizado e apreensão das informações inferior por causa do formato dos livros? Eu penso que não. Então, pra mim, ouvir é ler.
Pois bem. Fato é que há alguns meses eu dei uma pausa na audição de podcast e estou bem atrasado em vários deles. Alguns – presos ao tempo – como A hora, o Foro e o Medo e Delírio, eu vou acabar pulando. Outros, que são atemporais, estão aqui me esperando. Carinho especial para o Darknet Diaries.
O que rola portanto é que estou novamente em um momento de audiolivros e queria compartilhar (acho que ainda não havia falado aqui) que eu curto muito o formato e tenho muita preguiça do eventual preconceito que algumas pessoas possam ter com relação a audiolivros. Lembro que falei das minhas leituras anteriormente e não mencionei que eram leituras de audiolivros…
Se você fica muito tempo no trajeto para escola ou trabalho, sugiro experimentar. Meus deslocamentos são relativamente longos e eu percebo que a experiência muda bastante quando estou escutando um livro. Além disso, como vocês devem ter percebido, os audiolivros que mencionei estão em inglês e o processo de ouvir em inglês é excelente para manter a prática.
Eu adoro este efeito sonoro do Medo e Delírio em Brasília que coloquei acima. Provavelmente é o meu preferido. Muita gente sabe porque deve ser o áudio que eu mais compartilho nos diversos grupos de mensagens que eu participo.
Ele é bacana porque resume a ideia deste post: o meu plano deu errado 🙂
Bem, deu errado o meu plano de trocar o meu iPhone XR por um iPhone 16e na black friday. eu simplesmente falhei miseravelmente no meu projeto de monitorar o preço e encontrar uma boa barganha para trocar de aparelho.
E daí, passou a black friday e eu estava com um telefone com 7 anos de uso (comprado em 2018) e que, digamos, tem uma performance abaixo da média ou do esperado.
Para acelerar a coisa, como bom ansioso que sou, lá em meados de novembro eu comprei um eSIM antecipando a transição e já havia migrado o WhatsApp para este novo número. Ou seja: eu estava com um plano 50% executado e ainda com o WhatsApp em meu aparelho, o que já me incomoda há muito tempo.
O incômodo é que, por causa da comodidade a gente acaba cedendo e um aparelho de uso pessoal acaba virando aparelho de trabalho. Isso pode ser bem interessante em certos momentos. Em outros, no entanto, você se vê trabalhando num domingo de tarde, hora em que deveria estar descansando. Talvez esse tenha sido o principal motivador de meu plano. Eu precisava muito separar trabalho da vida pessoal e, como um brinde, não ter aplicativos da Meta em meu telefone de uso pessoal.
Foi aí, passada a black friday, que me ocorreu: o que me prende à Apple? Eu eu acabei percebendo que… nada, na verdade.
Esta epifania foi decisiva. Passei a olhar um aparelho Android que fosse semelhante ao que o iPhone 16e me entregaria. Acabei achando um que custou 30% menos do que o iPhone me custaria e, em tese, vai me dar ao menos três anos de uso (podendo ser mais) mas vamos voltar a isso ao final de 2028…
De fato, Nã há nada que me prenda à Apple e já tem uns dias que estou usando um telefone Android. É um Redmi Note 14 Pro.
O aparelho tem me atendido muito bem. Consegui transferir praticamente tudo o que eu fazia no iPhone para o aparelho novo. Claro que tem algumas coisas que são diferentes, mas nada que me incomode tanto (ainda).
Não há um aplicativo nativo como o Saúde, da Apple. Então hoje eu fiz uma longa caminhada com meu cachorro e não pude saber quantos passos eu dei. Uma inconveniência, digamos, insignificante.
Há coisas, claro, que me incomodam mais do que simplesmente um contador de passos e com as quais ainda não consegui lidar plenamente. O aplicativo de gestão de senhas do Google que fica me importunando constantemente e eu ainda não consegui remover ou desabilitar é uma dessas coisas. Há também o tal Google Gemini, que eu já devo ter desabilitado ou recusado umas três vezes mas vez por outra ele ainda aparece na tela num tom voluntarioso mais falso que uma nota de três reais. Aplicativos nativos da Xiaomi também me incomodam um pouco. Há um navegador que não consegui desabilitar ou remover e uma segunda loja de apps que vive me falando de atualizações de apps que não estão instalados.
De qualquer forma, acho que são coisas com as quais eu vou acabar aprendendo a lidar ou resolver mais cedo ou mais tarde.
Para quase todo o resto, estou me adaptando bem. Ainda, claro, em busca do aplicativo ideal para usar o Mastodon. No iOS o Mona é incontestavelmente o melhor. Ainda não achei nada parecido para Android. Tenho gostado do Tusky e do Fedilab. Não se comparam ao Mona, mas são Ok.
O teclado tem umas pequenas inconveniências também. Eu havia me acostumado muito com a funcionalidade do teclado do iOS que, ao apertar e segurar a barra de espaços, eu poderia navegar com o cursor pelo parágrafo até achar o ponto ideal para fazer uma edição. No Android, apesar de o teclado ser bastante confortável, não consegui ainda realizar esta mesma ação.
Ah… há uma outra coisa que no Android é BEM diferente do iOS. A loja de aplicativos mostra os resultados de um jeito muito estranho. Os resultados não parecem confiáveis. Acho que vou acabar buscando uma solução de loja alternativa, mas confesso que ter três lojas de aplicativos instaladas no telefone me parece um pouco demais.
Tenho certeza que as coisas que me incomodam ou com as quais eu ainda não consegui lidar no Android são fáceis de resolver e apresentam soluções bem tranquilas. É apenas questão de tempo. De qualquer maneira, fato é que eu estou agora com um telefone Android
Hoje topei com esta postagem no LinkedIn do Tuta (uma das empresas que vale a pena seguir por lá). A postagem falava de formas e alternativas para fazer o deGoogle.
Quando a gente fala em deGoogle as pessoas costumam torcer o nariz de antemão. Puro pre-conceito.
A ideia é bem simples: garantir independência e privacidade. Tentar minimizar os impactos da vigilância, do monitoramento e de mensagens publicitárias altamente direcionadas e invasivas.
Precisamos fazer um deGoogle, um deMicrosoft, um deMeta e vários outros processos de detox destas plataformas.
Importante sempre procurarmos soluções que nos deem independência e não nos isolem do mundo que vivemos. Eu uso o mínimo que posso dos serviços destas plataformas e acredito que todos devamos fazer isso.
As empresas chamadas Big Tech (não sou o maior fã deste nome porque parece que ser grande vira um problema, mas o buraco é mais embaixo) se colocam como inevitáveis. Entretanto, elas não são. A gente pode viver plenamente a nossa vida digital sem precisar depender delas.
Jaron Lenier diz no livro “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais” e também no depoimento dele no “O dilema das redes” que a gente não precisa ter uma mensagem de texto que envio para o meu vizinho passando por um servidor da Meta em outro lugar do mundo. A gente pode ter soluções melhores para isso.
As big techs não são inevitáveis.
PS: Se quiser mais ajuda nesse caminho, há um excelente sub a respeito: r/degoogle
E se a gente usasse uma plataforma social sem manipulação algorítmica? Esta plataforma existe e se chama Mastodon
Além dela, muitas outras que usam o protocolo ActivityPub funcionam de forma federada e integrada, sem manipulação algorítimca e com uma comunidade vibrante de pessoas interessantes.
Mas… por quê?
Plataformas algoritmicamente manipuladas vão prejudicar os usuários sempre que a pressão por faturamento aparecer. Em um esquema independente, pessoas e instituições não estarão sujeitas a isso. As conversas podem acontecer de maneira mais orgânica e direta.
O Mastodon (e demais plataformas que funcionam usando o protocolo ActivityPub) tem essa capacidade de uma entrega de informações a 100% da audiência e o mais importante: controle nas mãos de quem usa.
Marcas, instituições e pessoas podem se beneficiar enormemente de plataformas assim.
Imaginemos uma prefeitura, uma escola, uma empresa com a sua instância. Pessoas que queiram fazer parte de uma comunidade poderão participar e efetivamente ter acesso a tudo que se publica. A comunicação acontece de uma forma mais completa e direta.
No último dia 09/12 foi ao ar o programa Panorama, da TV ALMG, no qual eu participei para comentar sobre os hábitos e comportamentos de jovens e adolescentes nas plataformas sociais.
Mencionei alguns estudos e fiz algumas referências em minha fala. Eis os links: