Atualizando algumas leituras

Recentemente li o excelente “Atingidos pelas redes sociais“. É uma baita pancada nas plataformas que atuam de forma muito negativa nas nossas vidas. O texto é muito bem escrito e fundamentado. A leitura é rápida e muito boa (apesar de o tema ser muito rarefeito para a maior parte das pessoas). Comecei a recomendar alguns trechos em minhas aulas. Acho que o trabalho que o pessoal do NetLab faz é muito bom.

Para tentar me distrair um pouco me desafiei a ler umas coisas de ficção que estavam pendentes. Comecei pelo “The Every“, que estava aqui na fila há algum tempo mas eu não tinha muita paciência. Achei muito legal. Claro que é difícil ser mais bacana que o seu antecessor, mas ainda sim é uma excelente leitura. O final é um dos mais bacanas que eu li nos últimos tempos.

Na sequência eu me planejei para ler todos os livros relacionados ao “Problema dos 3 corpos“. Comecei pelo prequel (que eu não sabia que existia) chamado “Ball Lighting“. O livro é muito legal. A história é fascinante. Eu lia pensando que foi escrito semana passada, mas o livro tem mais de 20 anos! Terminei a leitura na manhã de hoje.

Estava animado para começar a ler o “Problema dos 3 corpos” ainda hoje, mas daí eu fui escutar a entrevista do Cory Doctorow no Decoder. Eis que ele fala de um livro que eu havia pensado em ler antes mas acabou me passando batido, que é o “Careless people“. Lá vou eu colocar este na frente, furando a fila da leitura, para terminar sentindo ainda mais raiva da Meta. Acho que tenho um Q de masoquista. Só pode ser.

Tentando selecionar as melhores músicas do Blur

Recentemente fui surpreendido por um alerta no meu aplicativo de streaming de música:

Tem pelo menos 30 anos que eu escuto Blur. Nunca deixei de gostar. Foi um prazer ter sido uma das poucas pessoas que foi ao show em novembro de 1999. Talvez nesse dia eu tenha pago a corrida de taxi mais cara de minha vida para me levar do lugar do show para o local onde eu estava hospedado lá em SP.

De qualquer forma, durante o mês de setembro eu estava repassando pela discografia do Blur buscando encontrar as melhores músicas de cada disco. Uma lista provisória que tenho é a seguinte:

The Ballad of Darren – Barbaric
The Magic Whip – Ghost ship
Think Tank – Out of time
13 – No distance left to run
Blur – Strange news from another star
The Great Escape – The Universal
Parklife – Tracy Jacks
Modern Life is Rubbish – Popscene
Leasure – She is so high

Foi difícil chegar a essa lista e definitivamente ela não é definitiva 🙂

Agora… dentre estas, achar qual é a preferida é bem complicado.

Talvez eu deva seguir ouvindo para me decidir…

Tem pessoas que são assim… simplesmente babacas

Lá no começo dos anos 2000 eu participei de um evento bacana num hotel chique daqui de BH com convidados de renome nacional. Minha função era falar de usabilidade na web e o coordenador do espaço onde eu falei era um proeminente professor da USP cujo livro eu usava em minhas aulas. Achei muito bacana a oportunidade e estava bem ansioso pelo evento (acho que já até escrevi sobre isso aqui no blog no passado mas o post não deve ter sobrevivido às inúmeras faxinas que já dei neste lugar desde que ainda estava lá nas ilhas côco). Enfim, eu acabei estourando um pouco o meu tempo de falar e o professor que coordenava o espaço naquele dia me tratou super mal. Foi rude mesmo. Um baita babaca.

Por um bom tempo eu fiquei com raiva. Depois, por causa dessas coisas da memória, eu passei a achar que eu é que tinha vacilado mesmo e não deveria ter estourado o tempo (acho que eu tinha 20 minutos para falar e falei 30).

Hoje uma conexão minha no LinkedIn interagiu com uma postagem deste professor, que segue lá na USP. A postagem era um desabafo do professor falando muito mal de um programa de TV que ele aceitou participar. Coisa rude e mal educada. Falou mal da outra convidada do programa com quem ele teve que interagir, falou mal do assunto. Falou mal de tudo.

Foi ótimo eu ter visto o post porque me fez lembrar que o meu lance de ter estourado o tempo e ter sido super mal tratado não foi uma falha imperdoável  minha. O cara segue sendo um mega babaca… mesmo tendo passados 20 anos da última vez que conversei com ele.

A megaoperação e a desinformação

Ontem, dia 28/08, uma megaoperação da Polícia Federal virou notícia e foi o centro das atenções no Brasil. Um mega esquema de sonegação fiscal evidenciou participação do criem organizado em praticamente toda a cadeia de fornecidmento de combustíveis em São Paulo. Muitas empresas envolvidas em diferentes partes da cadeia que vai do plantio da cana-de-açúcar até a bomba de combustível no posto de combustível.

Recomendo escutar a edição do Podcast O assunto de hoje. Fala da ação gigante da PF, da Receita Federal e do Ministério Público em profundidade.

Duas coisas sobre isso tudo:
1 – Temos que sempre ter em mente o governo que está realizando esta operação. Isso é muito importante. Foi no governo do prosidente Lula que foi feita esta investigação. De igual maneira com o que aconteceu com o escândalo dos descontos indevidos na Previdência, isso foi descoberto graças a uma investigação que aconteceu num governo do PT. É importante ter isso em mente porque muita gente vai falar (já está falando) que os governos do PT são corruptos e ladrões. No entanto, é justamente nestes governos que estas investigações acontecem e que estes esquemas são desbaratados. Num governo corrupto estas investigações não vão adiante.

2 – Chamo atenção para um trecho que começa em 26:51 (aqui o link direto para o ponto) em que a apresentadora e o entrevistado conversam sobre como este esquema poderia ter sido descoberto antes se as normativas sobre o PIX propostas ao início do ano tivessem sido implementadas. No entanto, graças a um vídeo repleto de desinformação feito pelo Nikolas Ferreira (Deputado da extrema direita brasileira) não tivesse gerado uma onda de protestos (infundados) sobre a proposta feita à época pelo governo federal.

Cada vez mais temos que ficar atentos para a questão da desinformação no país. Mesmo que o deputado não tivesse a intenção de colaborar com o crime organizado, a sua ação de desinformação sobre o PIX acabou por colaborando que uma série de normas não fossem colocadas em opoeração, o que (isso sim) facilitou a ação do crime organizado em prejuízo do país.

O preconceito contra SNAPS pode estar te prejudicando

Snap é uma forma de empacotar software de maneira containerizada em Linux. É uma maneira desenvolvida pela empresa Canonical, que mantém o Ubuntu, para deixar o processo de gerir software num sistema, de acordo com eles, mais fácil e simples. Não é a única maneira de fazer isso. Há a forma mais famosa e adotada que é o Flatpak.

O legal de usar um sistema Linux é que a gente não precisa usar exclusivamente nenhuma delas. Entretanto, muita gente que não usa Ubuntu (que tem Snaps habilitados e priorizados por default) critica os Snaps.

Só que tem uma coisa… A loja de aplicativos de Snaps apresenta mais soluções alternativas para serviços que muitos precisamos no Linux mas não encontramos em pacotes de sistema ou mesmo em Flatpaks. Abaixo, coloco uma comparação de buscas para aplicativos que me permitam usar dois serviços importantes para mim no Linux (mas que não tem aplicativos nativos): WhatsApp e Outlook.

Perceba que a quantidade de opções que você pode ter nos Snaps é maior do que a que temos no Flathub. Ou seja: se você tem algum preconceito para usar Snaps, eu recomendaria repensar. A gente quer algo funcionando, certo? Não há nenhum problema em ter aplicativos no seu sistema que foram instalados de pacotes do sistema, de Flatpaks e de Snaps. O seu sistema Linux vai permitir que você use aplicações destas três fontes sem qualquer problema.

O Orkut vai voltar. O Orkut vai voltar?

Todo ano tem algum evento de tecnologia no Brasil em que chamam o Orkut Büyükkökten para alguma palestra. Todo ano ele fala que o Orkut vai voltar (às vezes com outro nome, outras vezes com o nome Orkut, mesmo).

Aconteceu novamente. Me pediram para responder algumas perguntas sobre o assunto.

Orkut Büyükkökten disse durante um evento que pretende voltar com a rede social, você como especialista em tecnologia, acha que pode dar certo?

Eu acho que pode dar certo, sim. Estamos vendo nos últimos tempos uma preocupação crescente com a dependência e os impactos do uso prolongado de plataformas algoritmicamente manipuladas. O Orkut é de um período em que não existia esta manipulação algorítmica para sortimento e recomendação de conteúdos. Caso a plataforma retorne as atividades com o formato original (sem algoritmos manipulando conteúdos e sem algo que se assemelhe a um feed “para você”) vejo que existe uma possibilidade grande de sucesso.

As pessoas, de uma forma coletiva, tem se mostrado insatisfeitas com a forma que as plataformas escolhem, entregam e recomendam conteúdos. Um fator que poderia ser interessante para o sucesso seria, então, este: um novo Orkut que funcione como um espaço para conversar de maneira mais eficiente com as pessoas com as quais nos escolhemos fazer conexões.

No auge da plataforma, no Brasil foram mais de 34 milhões de usuários. Hoje você acha que o país continuaria a ser o maior consumidor? Se sim, por quê?

O Brasil se consolidou como um dos grandes mercados para o Orkut em sua primeira versão porque somos muito sociais. Todas as entidades que investigam tempo de tela, uso de plataformas e publicação de conteúdo mostram que figuramos dentre os maiores utilizadores. Caso a plataforma Orkut volte e seja feito um trabalho de comunicação eficiente para a retomada do uso, não vejo motivos para isso não acontecer. Você se lembra de quando o Twitter foi suspenso e as pessoas rapidamente adotaram outra solução (inclusive o indiano Koo…)? Somos um país que busca avidamente usar estas plataformas de interação social. Entendo que com o Orkut isso se mostrará também evidente.

O dono da plataforma disse também que pretende recuperar o valor das comunidades, para as pessoas poderem debater temas; como você vê isso?

Eu vejo isso com excelentes olhos. Plataformas como o Reddit, que funcionam a partir da premissa de comunidades, são amplamente usadas e há dinâmicas muito familiares e esperadas pelos usuários. A gente é levado a acreditar que comunidades caíram em desuso porque o Facebook não priorizou esta funcionalidade em seu produto principal (o próprio Facebook) e nem no Instagram. Entretanto, grupos de WhatsApp tem dinâmicas semelhantes aos fóruns, comunidades e grupos de discussão e vivem bastante movimentados. Acredito que as comunidades nos moldes do Orkut original tendem a ser espaços de intensa discussão. Importante, no entanto, levar em conta a necessidade de a plataforma estabelecer diretrizes claras e consolidar ferramentas e equipes que consigam trabalhar efetivamente e eficientemente na moderação de conteúdo controverso.

Como seria o Orkut no telefone? Ninguém teve essa experiência, na época a gente mexia no computador. Acha que pode ser uma nova sacada?

Pode ser um produto muito bacana. Há referências atuais que muitos brasileiros usam (Reddit, Discord) que operam com um funcionamento voltado para diálogos e para comunidades que pode ser bem aproveitado em termos de lógica visual e compreensão de funções. Além disso, o uso de funcionalidades que sejam vinculadas ao dispositivo móvel (como uso de localização, áudio e vídeo) que não estavam disponíveis lá no começo do século na versão original do Orkut, pode ser algo que faça uma baita diferença positiva para as pessoas. Para tanto, será necessário um trabalho bem focado no desenvolvimento de uma plataforma que seja familiar, confortável de usar e ao mesmo tempo robusta. O time de Produto do novo Orkut tem um grande desafio nas mãos, mas ao mesmo tempo, conta com o desejo de boa parte dos brasileiros de começarem a usar o que for desenvolvido.

O que você acha que o Orkut precisa de diferente para ‘bombar’ hoje e as pessoas voltarem a usar?

Eu acho que ele precisa ser mais parecido com o Orkut original do que com as plataformas que existem hoje. Isso já faria dele um espaço diferente para o começo do uso. Não ter um feed manipulado por algoritmos que empurram conteúdos de pessoas com quem que você não tem conexão seria excelente. Entendo que este é um ponto que hoje as pessoas estão cada vez mais percebendo se tratar de uma artimanha das plataformas para nos manter conectados por mais tempo. Se isso não existir no novo Orkut, entendo que muita gente valorizará. Além disso, acredito que o retorno das comunidades como espaços para conversar com outras pessoas (que sejam ou não nossas conexões diretas) pode ser uma função muito bem recebida e valorizada pelas pessoas.

Recuperando o Orkut original, os testemunhais e as avaliações das pessoas também seriam coisas que voltaríamos a usar amplamente, imagino.

IA do WhatsApp compartilha número de telefone com terceiro

Esta notícia talvez tenha passado batido por você. Afinal, tem ao menos quatro guerras em curso no mundo, assassinato do empresário em Interlagos e muitas outras coisas acontecendo que é bem fácil não ter percebido que a “Inteligência Artificial” do WhatsApp compartilhou o número de telefone de um usuário com outra pessoa que estava quilômetros de distância.

A notícia saiu no The Guardian e conta a história de um camarada que estava numa estação de trem na Inglaterra esperando o trem chegar para embarcar só que o trem não aparecia. Então ele teve a brilhante ideia de pedir para a IA do WhatsApp se ela sabia do contato da empresa responsável e, pimba. A “inteligência artificial” cuspiu para ele um número. Só que não era um número da empresa, mas sim o número de outro usuário do WhatsApp.

Quando o cara recebeu o número achou estranho e a IA tentou desviar do assunto. Ou seja: a IA sabe que fez besteira. Pelo menos isso.

Quando o usuário perguntou sobre o erro, a IA respondeu que forneceu a resposta com base em padrões. Perguntada novamente, admitiu que pegou o número do usuário em um banco de dados.

Acho que pode ser bem legal ler a matéria que saiu sobre o assunto ontem no The Guardian. Lá tem uma série de depoimentos de desenvolvedores que falam não ser a primeira vez que um tipo de erro desses acontece e que este tipo de erro é interessante (do ponto de vista da teoria por trás da coisa).

Só que eu gostaria de ir um pouco além, aqui. Acho que o ocorrido é uma manifestação que ainda veremos muito. Dados que estas ferramentas coletam sendo divulgados equivocadamente para pessoas que não tenham qualquer relação com o que foi coletado.

Uma coisa é importante e precisamos ter sempre em mente: tudo o que se compartilha com uma ferramenta deste tipo (seja a do WhatsApp ou qualquer outra) será usado para que ela aprenda mais um pouco. Então a gente tem que ter muito cuidado com as coisas que coloca em caixas de texto e com os arquivos que fornecemos a elas para que elas “nos ajudem”.

Se de caso de pessoas usando estas ferramentas para fazer atas de reuniões sigilosas de empresas. Isso é perigosíssimo porque deixa-se a ferramenta “ouvir” uma reunião em que várias pessoas participam, não necessariamente dando autorização. A IA, além de aprender com as vozes, pode aprender detalhes sobre a empresa que nenhum dos participantes gostaria que fossem divulgados a terceiros.

O caso que aconteceu na Inglaterra nos evidencia que não existe qualquer garantia de que isso não vá acontecer.

Somos peças em uma máquina que escraviza

As plataformas algoritmicamente operadas não estão interessadas em conectar pessoas e muito menos em te ajudar. Elas querem o seu tempo para te mostrar anúncios altamente personalizados e direcionados.

Hoje, mais cedo, estava rolando a tela do LinkedIn. Topei com um conteúdo que me despertou o interesse. Havia sido postado por uma pessoa que não está em meus contatos e nem é uma conexão. Iniciei um comentário porque gostaria de desenvolver uma conversa com a pessoa que postou o conteúdo. Antes de completar o comentário, precisei alternar a aba para buscar uma referência.

Nesse espaço de tempo, chega um alerta de um problema para resolver rapidamente no aplicativo de mensagens. Quando terminei o problema, localizei a referência e voltei para a aba do navegador onde estava o meu rascunho de comentário do linkledIn para finalizar, indicando a referência, eis que o LinkedIn achou por melhor recarregar e eu perdi este conteúdo para sempre.

Isso acontece muito em qualquer plataforma. Instagram, TikTok, LinkedIn.
O produto é desenhado para mostrar a maior quantidade possível de conteúdo (e, de quebra, anúncios) para os usuários. Mais tempo de tela, mais conteúdo, mais anúncios altamente direcionados. Likes, comentários e compartilhamentos não são pensados para aproximar pessoas, mas sim para indicar para os sistemas qual tipo de conteúdo te interessa para que a plataforma te mostre mais.

Erro BusyBox e terminal initramfs no Linux Mint

Eu uso Linux Mint em meus dois computadores. De vez em quando, no Laptop eu encontro um problema. Não sei bem o que causa, mas aprendi a me virar quando acontece.

Descrevendo o problema: de quando em vez acontece de eu estar usando o meu sistema normalmente e daí percebo que algumas coisas param de funcionar. Clico em elementos e eles não respondem, ou o menu principal do Mint fica com uns caracteres estranhos ao invés dos textos, enfim… a solução é reiniciar. Daí quando eu reinicio, sou recepcionado por esta tela (que em outras vezes, aparece já ao ligar o sistema)…

Este é o BusyBox me recepcionando falando que não conseguiu iniciar o sistema. Aprendi com o tempo que a solução é muito simples. Para dar início à solução, basta eu pedir para que o BusyBox saia desta tela. Para fazer isso é só eu digitar exit e [enter].

Quando eu peço para sair, o sistema tenta executar a saída mas encontra um erro. O legal é que agora o sistema me informou o que está acontecendo: uma partição do meu disco de inicialização está com erros e precisa ser checada/corrigida. Perceba que ao final da mensagem de erro, o sistema me fala o que precisa ser feito: eu preciso rodar manualmente o comando fsck na unidade /dev/nvme0n1p2. E é isso que eu faço. Para tanto, eu digito fsck /dev/nvme0n1p2 e [enter], como exibido abaixo.

O sistema começa a correção, perceba que ele me faz uma pergunta. para aceitar a correção, basta teclar Y para responder cada pergunta que ele fizer (ele costuma fazer algumas) ou então A para já aprovar qualquer pedido que ele venha a fazer no processo.

Uma vez que todas as correções são feitas, eu volto para aquele estado inicial do initramfs. Daí é só pedir novamente para que o sistema me tire dali (teclando exit e [enter] e tudo se resolve.