A inteligência artificial é tão inteligente…

Eu adoro a inteligência artificial. Ela é tão inteligente! Vai revolucionar o meu dia-a-dia.

De certo, vou ponhar meu computador para trabalhar tal qual a inteligência artificial me recomendou.

Agora sério… Você confiaria em um produto que se intitula “Inteligência Artificial” e que inventa de usar ponhar da forma como a que está aplicada nesta frase?

Entendo que por mais que seja um regionalismo e que algumas circunstâncias o uso é até aceito, você não acha que a ferramenta deveria ser inteligente o suficiente para saber que eu não estou no interior do estado de São Paulo e muito menos no Rio Grande do Sul (onde este uso é parcialmente aceito, embora considerado coloquial)? Mesmo se fosse este o caso, a conjugação verbal está equivocada. Para uma ferramenta que algumas pessoas (lunáticos, eu sei) acham que vai aniquilar com empregos de boa parcela da população, um erro desse tipo é inaceitável.

De qualquer forma, acho que tem sido dado crédito demais para estas ferramentas. A nossa sociedade está desenvolvendo uma dependência perigosa destas ferramentas de geração de conteúdo a partir de prompts.

Com estas ferramentas, claro, as respostas chegam rapidamente. Entretanto, não há aprendizado. Esta etapa está sendo pulada. As pessoas acham que estão ganhando tempo, mas isso não está acontecendo. O que ocorre é a criação de dependência por estas respostas rápidas que, sem o devido repertório e conhecimento para poder checar, nem se sabe se são corretas. Mas isso não é o importante imediatamente. O que é importante é que o prompt foi respondido e que agora podemos fazer a próxima tarefa. Uma hora a conta vai chegar. O aprendizado que não aconteceu será cobrado e estes profissionais serão desafiados. Só que sem saber como aprender, a bomba vai estourar.

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