IA do WhatsApp compartilha número de telefone com terceiro

Esta notícia talvez tenha passado batido por você. Afinal, tem ao menos quatro guerras em curso no mundo, assassinato do empresário em Interlagos e muitas outras coisas acontecendo que é bem fácil não ter percebido que a “Inteligência Artificial” do WhatsApp compartilhou o número de telefone de um usuário com outra pessoa que estava quilômetros de distância.

A notícia saiu no The Guardian e conta a história de um camarada que estava numa estação de trem na Inglaterra esperando o trem chegar para embarcar só que o trem não aparecia. Então ele teve a brilhante ideia de pedir para a IA do WhatsApp se ela sabia do contato da empresa responsável e, pimba. A “inteligência artificial” cuspiu para ele um número. Só que não era um número da empresa, mas sim o número de outro usuário do WhatsApp.

Quando o cara recebeu o número achou estranho e a IA tentou desviar do assunto. Ou seja: a IA sabe que fez besteira. Pelo menos isso.

Quando o usuário perguntou sobre o erro, a IA respondeu que forneceu a resposta com base em padrões. Perguntada novamente, admitiu que pegou o número do usuário em um banco de dados.

Acho que pode ser bem legal ler a matéria que saiu sobre o assunto ontem no The Guardian. Lá tem uma série de depoimentos de desenvolvedores que falam não ser a primeira vez que um tipo de erro desses acontece e que este tipo de erro é interessante (do ponto de vista da teoria por trás da coisa).

Só que eu gostaria de ir um pouco além, aqui. Acho que o ocorrido é uma manifestação que ainda veremos muito. Dados que estas ferramentas coletam sendo divulgados equivocadamente para pessoas que não tenham qualquer relação com o que foi coletado.

Uma coisa é importante e precisamos ter sempre em mente: tudo o que se compartilha com uma ferramenta deste tipo (seja a do WhatsApp ou qualquer outra) será usado para que ela aprenda mais um pouco. Então a gente tem que ter muito cuidado com as coisas que coloca em caixas de texto e com os arquivos que fornecemos a elas para que elas “nos ajudem”.

Se de caso de pessoas usando estas ferramentas para fazer atas de reuniões sigilosas de empresas. Isso é perigosíssimo porque deixa-se a ferramenta “ouvir” uma reunião em que várias pessoas participam, não necessariamente dando autorização. A IA, além de aprender com as vozes, pode aprender detalhes sobre a empresa que nenhum dos participantes gostaria que fossem divulgados a terceiros.

O caso que aconteceu na Inglaterra nos evidencia que não existe qualquer garantia de que isso não vá acontecer.

Somos peças em uma máquina que escraviza

As plataformas algoritmicamente operadas não estão interessadas em conectar pessoas e muito menos em te ajudar. Elas querem o seu tempo para te mostrar anúncios altamente personalizados e direcionados.

Hoje, mais cedo, estava rolando a tela do LinkedIn. Topei com um conteúdo que me despertou o interesse. Havia sido postado por uma pessoa que não está em meus contatos e nem é uma conexão. Iniciei um comentário porque gostaria de desenvolver uma conversa com a pessoa que postou o conteúdo. Antes de completar o comentário, precisei alternar a aba para buscar uma referência.

Nesse espaço de tempo, chega um alerta de um problema para resolver rapidamente no aplicativo de mensagens. Quando terminei o problema, localizei a referência e voltei para a aba do navegador onde estava o meu rascunho de comentário do linkledIn para finalizar, indicando a referência, eis que o LinkedIn achou por melhor recarregar e eu perdi este conteúdo para sempre.

Isso acontece muito em qualquer plataforma. Instagram, TikTok, LinkedIn.
O produto é desenhado para mostrar a maior quantidade possível de conteúdo (e, de quebra, anúncios) para os usuários. Mais tempo de tela, mais conteúdo, mais anúncios altamente direcionados. Likes, comentários e compartilhamentos não são pensados para aproximar pessoas, mas sim para indicar para os sistemas qual tipo de conteúdo te interessa para que a plataforma te mostre mais.

Erro BusyBox e terminal initramfs no Linux Mint

Eu uso Linux Mint em meus dois computadores. De vez em quando, no Laptop eu encontro um problema. Não sei bem o que causa, mas aprendi a me virar quando acontece.

Descrevendo o problema: de quando em vez acontece de eu estar usando o meu sistema normalmente e daí percebo que algumas coisas param de funcionar. Clico em elementos e eles não respondem, ou o menu principal do Mint fica com uns caracteres estranhos ao invés dos textos, enfim… a solução é reiniciar. Daí quando eu reinicio, sou recepcionado por esta tela (que em outras vezes, aparece já ao ligar o sistema)…

Este é o BusyBox me recepcionando falando que não conseguiu iniciar o sistema. Aprendi com o tempo que a solução é muito simples. Para dar início à solução, basta eu pedir para que o BusyBox saia desta tela. Para fazer isso é só eu digitar exit e [enter].

Quando eu peço para sair, o sistema tenta executar a saída mas encontra um erro. O legal é que agora o sistema me informou o que está acontecendo: uma partição do meu disco de inicialização está com erros e precisa ser checada/corrigida. Perceba que ao final da mensagem de erro, o sistema me fala o que precisa ser feito: eu preciso rodar manualmente o comando fsck na unidade /dev/nvme0n1p2. E é isso que eu faço. Para tanto, eu digito fsck /dev/nvme0n1p2 e [enter], como exibido abaixo.

O sistema começa a correção, perceba que ele me faz uma pergunta. para aceitar a correção, basta teclar Y para responder cada pergunta que ele fizer (ele costuma fazer algumas) ou então A para já aprovar qualquer pedido que ele venha a fazer no processo.

Uma vez que todas as correções são feitas, eu volto para aquele estado inicial do initramfs. Daí é só pedir novamente para que o sistema me tire dali (teclando exit e [enter] e tudo se resolve.

Algumas perguntas e respostas sobre nossas relações com plataformas sociais

Como você enxerga a evolução do engajamento nas redes sociais ao longo dos últimos anos, especialmente com o crescimento das plataformas digitais e novas ferramentas de interação?

Eu entendo que por engajamento estamos nos referenciando à possibilidade de as pessoas iniciarem conversas entre si e com marcas e à possibilidade de marcas também fazerem isso com pessoas ou grupos de pessoas. Certo?

Acho que isso é uma coisa muito legal que a internet proporciona para o coletivo e que as plataformas sociais ajudam a tornar ubíquo. Entretanto, há que se considerar a relação de dependência que pode ser construída para com as plataformas. Pensando com a mentalidade de um publicitário, enxergo isso com um pé atrás. A gente tem se acostumado tanto a nos comunicarmos por meio de plataformas fechadas e controladas por empresas que eventualmente isso pode ser ruim, caso estas empresas resolvam mudar algumas regras do processo para maximizar seus ganhos.

Como você avalia o impacto do engajamento dos brasileiros nas redes sociais nos últimos anos?

Complementando o que disse anteriormente, eu vejo isso de uma maneira inicialmente positiva.

Obviamente o receio nasce quando as coisas começam a sair do controle. Observando do ponto de vistas de um publicitário que trabalha a gestão de marcas nestes ambientes, é importante que a gente tenha canais de comunicação com os consumidores mas que não fiquemos reféns destes canais.

Já pensando do lado do cidadão, o aumento e a prevalência das interações acontecendo por meio de plataformas não necessariamente é algo sempre positivo. As plataformas podem proporcionar acesso e alcance à pessoas que vivem isoladas, que estejam distantes fisicamente de seus interlocutores e outras situações em que suas vozes dificilmente seriam ouvidas ou seus discursos percebidos. Por outro lado, se a gente for olhar a média de tempo que ficamos conectados às plataformas e – principalmente – o que coletivamente fazemos lá, daí é para ficar um bocado preocupado porque vemos que as pessoas em boa parte optam por apenas consumir passivamente conteúdo e pouco interagem ou mesmo refletem criticamente sobre o que chega.

Esta questão é um tanto quanto preocupante. Veja bem: Passamos os últimos 70 anos sendo bombardeados pela mídia de massa com mensagens que não permitiam uma resposta individual ou coletiva por parte da audiência em condições iguais de formato e alcance. De repente a gente agora tem um monte de ferramentas que nos capacitam a fazê-lo. Isso inicialmente é ótimo. Todo mundo agora tem poder de se transformar em emissor. Só que durante os 70 anos que fomos bombardeados pela mídia de massa, pouco se desenvolveu a capacidade crítica e avaliativa de observar criteriosamente aquilo que chega.

Então, agora a gente tem um ambiente caótico em que circulam mensagens em todas as direções das mais diversas origens e estamos apenas rolando telas coletivamente refletindo pouco ou quase nada sobre aquilo que aparece para a gente ver.

Como é o comportamento do público brasileiro nas plataformas digitais de redes sociais?

Não acredito que existe uma diferença muito grande entre o comportamento de brasileiros e de pessoas de outras nacionalidades a ponto de ser algo que cause distinção. O que se percebe, normalmente, é que existe uma tendência a nos agruparmos em conjuntos de pessoas com pensamentos semelhantes em comunidades digitais. Isso pode ser bem interessante. Entretanto, a natureza dos modelos de negócio das plataformas as leva a desenvolver formas de nos apresentar apenas conteúdos referentes àquilo com o que concordamos ou que, de acordo com os cálculos das plataformas, temos maior probabilidade de gostar. Assim acontece a manipulação algorítmica que proporciona o que autores como Zeynep Tufekci, Byung-Chul Han, Andrew Keen, Evgeny Morozov e Márcia Tiburi chamam atenção para – cada um com uma posição peculiar – a respeito das dinâmicas que se estabelecem.

Estes autores falam dos malefícios de a gente se relacionar prioritariamente por meio de plataformas indicando que desenvolvemos comportamentos fascistoides, desaprendemos a conversar com o outro e a lidar com ideias diferentes das nossas e nos maravilhamos com aquilo que nos reforça apenas nossos valores já consolidados; tudo isso enquanto clicamos em infinitos anúncios.

O engajamento nas redes sociais tem sido crucial para as empresas no Brasil, principalmente para pequenas e médias empresas. Como as grandes corporações e figuras públicas aproveitam e incentivam esse engajamento do povo brasileiro? Teria algum exemplo recente?

Eu vejo claramente o ambiente híbrido descrito por Manuel Castells em “O poder da comunicação”. Nele, corporações multinacionais, instituições de governo, veículos de mídia, organizações sociais de diferentes portes e indivíduos estão interagindo em múltiplas dinâmicas concomitantes.

As empresas que conseguem estabelecer diálogos com seus consumidores tendem a tirar melhor proveito sempre. Saber ouvir e saber conversar com os públicos é crucial e necessário para a sobrevivência de qualquer iniciativa.

Relativamente recente é o caso de como o Google usou seu poder para direcionar a opinião popular com relação à proposta da PL 2630. Em 2023 o Google colocou em sua página inicial uma chamada para as pessoas lerem e conhecerem (claro, sob a ótica dos interesses comerciais da empresa) sobre os “malefícios” da PL. Este foi um claro caso de uma empresa com muito interesse em ver a atividade de plataformas não passar por qualquer regulação que ameace seus lucros atuar para direcionar a opinião popular. Funcionou; tanto que a PL foi engavetada e a discussão sobre o assunto retrocedeu muito.

Como o comportamento do público brasileiro favorece a disseminação de fake news?

Como disse anteriormente, não apenas o comportamento do brasileiro, mas sim de pessoas em geral. A gente rola a timeline da plataforma e vê uma coisa que se alinha com a nossa forma de pensar. É algo que a gente acha que é bacana, que gosta e que se alinha com as ideias ali presentes. A gente imediatamente compartilha sem olhar mais aprofundadamente de onde veio a informação, não se preocupa em saber quem fez aquilo e nem quais os interesses por trás daquilo. A gente apenas compartilha. Assim a desinformação circula como fogo em mato seco.

Considerando sua experiência acadêmica e profissional, como você vê o futuro das redes sociais no Brasil nos próximos 5 a 10 anos? Que tendências você acredita que marcarão o engajamento digital dos brasileiros

Infelizmente eu não vejo um futuro muito bacana. A eleição de Donald Trump evidenciou que quando um bilionário, como o dono do Twitter, atua, pode influenciar muito mais do que os seus negócios e resultados. Isso deixou outros bilionários mais animados; o que nunca é bom.

Para alinhar-se com a visão propagada por Donald Trump e os ideias que ele diz representar, a Meta já anunciou mudança nas políticas de moderação de conteúdo em suas plataformas. O que temos aprendido ao longo dos anos é que a solução para o problema de disseminação de desinformação não é reduzir as equipes e/ou eliminar políticas de moderação de conteúdo. É justamente o contrário. Assim, as ações já colocadas em operação pela Meta por si só vão causar grande estrago. Como o caminho é o de que outras plataformas sigam essa orientação, não dá muito para ver um futuro bacana nesse aspecto.

Para complementar, iniciativas como a de uma web livre de manipulação algorítmica (como o Fediverso) ainda têm um alcance muito restrito. Enquanto temos mais de 300 milhões de pessoas ainda usando o Twitter, por exemplo, o número de pessoas que usa o Mastodon não chega a 2 milhões. É certo que o número de pessoas que descobre o Fediverso cresce a cada dia, mas ainda está muito aquém das plataformas onde a desinformação corre livre.

Quais os impactos que essa exposição excessiva dos brasileiros nas redes sociais pode gerar na saúde mental?

Resposta curta: os piores possíveis.

A gente já sabe porque isso tem sido evidenciado em trabalhos ao longo dos anos. Em adolescentes a exposição prolongada a telas, especialmente o consumo de informação em plataformas sociais, como evidenciado em um interessante trabalho publicado em 2024 por Matos e Godinho1, os impactos relacionados à saúde mental em adolescentes incluem o bullying no contexto das plataformas e seus impactos, a comparação social negativa por causa da superexposição a postagens de enaltecimento pessoal dos outros e a exposição a conteúdos prejudiciais, que acabam por influenciar as pessoas a desenvolverem comportamentos de autodepreciação trazem impactos negativos na saúde mental dos usuários.

Além deste trabalho, o que o professor Christoph Turcke fala bastante sobre como o uso de telas e o consumo de informações por meio de plataformas na internet pode ser prejudicial para nosso desenvolvimento como pessoas no livro “Hiperativos!”. De forma complementar, as reflexões de Byung-Chul Han em “No enxame”, “Sociedade do cansaço” e “Sociedade da transparência” evidenciam como nossos comportamentos mudaram a partir da adoção das plataformas em nossas vidas. Viver em um contexto de intensa e constante necessidade de performance e evidenciação de nossas vidas privadas a tudo e todos proporcionam desdobramentos graves para nossa saúde mental. As consequências disso já são conhecidas e envolvem a ansiedade, a depressão e baixa autoestima.

O estudo que citei é interessante porque nele os autores fazem uma análise de diferentes publicações que tratam do assunto nas Neurociências e na Psicologia. Para além de estudos como estes, temos as reflexões de Cathy O’Neil, que reflete sobre os impactos do uso de manipulação algorítmica em plataformas que usamos para os mais diversos fins no livro “armas de manipulação matemática”. A autora ressalta a nossa incapacidade de negociarmos individualmente com as plataformas o emprego destas ferramentas nos serviços que usamos. Ou seja: o uso de plataformas sociais comerciais parece implicar aderir a um contexto de manipulação algorítmica que é operado com o objetivo de nos prender nas plataformas pela maior quantidade de tempo possível a fim de proporcionar lucratividade às empresas que controlam estas plataformas a despeito das consequências à nossa saúde mental.

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1 Matos, K. A., & Godinho, M. O. D. (2024). A INFLUÊNCIA DO USO EXCESSIVO DAS REDES SOCIAIS NA SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA. REVISTA FOCO, 17(4), e4716. https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n4-035

Redescobrindo a Luerzers Archive

Ontem estava dando uma aula de projeto para alunos do curso de Publicidade e tratava da busca de referenciais para o desenvolvimento criativo de peças publicitárias. Falávamos da necessidade de buscar referencial para desenvolver as aptidões tanto visuais quanto em termos de redação e texto. Mencionei aos alunos a existência da revista Luerzers Archive, que é um excelente repositório para que interessados em publicidade de todas as épocas busquem inspiração naquilo que a revista seleciona como influente globalmente.

Ao acessar o site da revista nos deparamos com um acervo especial de 40 anos com uma seleção de peças influentes e que marcaram as memórias das pessoas.

Vale muito a pena explorar este conteúdo e ver que a publicidade pode ser muito mais do que mensagens altamente personalizadas instigando a compra por impulso.

O problema não está nas “redes sociais”

Hoje eu escutei o excelente episódio “As redes da discórdia” do podcast “Ciência Suja”.
Recomendo que você escute e preste bastante atenção nas referências. O pessoal fez um trabalho muito bacana para organizar uma linha de pensamento coerente e que deixa muito fácil de entender de onde vêm parte da influência para o estado de discórdia e conflitos que vivemos.

Eles fazem um excelente serviço ao recuperarem o texto do Richard Barbrook e do Andy Cameron (embora este último não receba o crédito) sobre a Ideologia Californiana e traçarem uma linha evolutiva até chegarmos à economia da atenção, a era do capitalismo de vigilância (embora não citem diretamente o trabalho da Shoshanna Zuboff), a máquina do caos de Max Fischer e chegando ao Byung-Chul Han no excelente Infocracia.

Chamo atenção para o final do episódio quando o principal narrador faz uma reflexão sobre o antagonismo das “redes sociais”, quando ele recupoera o exemplo de quando seu laptop foi furtado e ele usou da dinâmica de redes que é presente na internet de forma bem prevalente para fazer uma vaquinha e recuperar o $$ para poder comprar outro computador e seguir trabalhando.

Aqui entra o motivo de eu estar escrevendo este post.

Minha questão com a abordagem que se tem tido sobre o assunto encontra um exemplo bem legal do problema que me refiro neste caso que o narrador do podcast fala.

Ele fica pesaroso porque acredita que as redes sociais podem ser bem bacanas (dando o exemplo da vaquinha para a compra de seu computador) e ao mesmo muito prejudiciais (com os vários exemplos que abundam no episódio).

Este antagonismo tem uma explicação clara e é esse exatamente o ponto que vem me incomodando.

As redes sociais são as conexões entre as pessoas. Elas existem desde que a gente (seres humanos) começou a se agrupar e viver em conjunto.

Ao chamar o Instagram, o YouTube, o TikTok e o Facebook de “redes sociais” as pessoas passam a confundir as coisas. Daí o antagonismo retratado pelo narrador do podcast. Ele não precisaria existir.

Facebook, Instagram, TikTok, YouTube e congêneres são plataformas sociais. Serviços de mídia social que têm características de rede, mas não são as redes. As redes são as conexões entre as pessoas que se manifestam nestes lugares. Nos sites de mídia social a gente consegue ver algumas redes, mas as redes extrapolam isso.

Pode parecer apenas uma questão semântica, mas é mais do que isso. pensa comigo…

Quando a gente chama estes serviços de “redes sociais”, estamos atribuindo a eles um poder que não é exclusivo deles. Reunir pessoas é algo que já fazemos coletivamente muito antes da internet. Isso proporciona excelentes consequências e também desdobramentos questionáveis. Já vimos tudo isso na história da humanidade até chegarmos ao século XX.

Foi ao final do século XX que começamos a ver na internet os serviços / plataformas de mídias sociais que exibem listas de atualizações de pessoas em forma de feed e que são montados por meio (primordialmente) de intervenção /  manipulação algoritmica. Estes serviços comerciais que tem-se chamado – a meu ver equivocadamente – de “redes sociais”. Estes serviços, no entanto, são apenas espaços em que pessoas circulam conteúdo. Isso não tira deles relevância, mas não os qualifica como “redes sociais”. Chamar estes espeços de “redes sociais” é, nesse sentido, equivocado.

Além disso, a gente desvia o foco daquilo que é realmente prejudicial. A manipulação algorítmica destes serviços visando a maximização do tempo de tela para coleta ostensiva de dados e futura utilização em ações publicitárias altamente direcionadas.

E é exatamente neste ponto que está o problema que é discutido em quase todas as publicações citadas neste meu post e no episódio e, claro, no episódio em si.

Ou seja: o problema não são e nem está nas “redes sociais”. As ligações entre as pessoas nada têm a ver com isso.

O que acontece é que quando a gente adota massivamente plataformas sociais comerciais que visam o lucro e, por isso, manipulam algoritmicamente o que é exibido aos usuários, temos muitos problemas.

As plataformas sociais que não são manipuladas algoritmicamente (como o pixelfed, o mastodon e demais serviços que constituem o chamado fediverso) não têm as características negativas enumeradas no episódio e em publicações como o “máquina do caos”, por exemplo. Isso faz uma diferença danada porque quando as pessoas equivocadamente falam que o problema está nas famigeradas “redes sociais”, aquelas que não têm o feed manipulado por algoritmos acabam caindo no mesmo balaio de malvadezas criado por esta forma de enxergar o problema.

O alto custo das coisas gratuitas

Não existe almoço grátis.

Desde 2019 eu venho testando diferentes bancos. A insatisfação com a instituição que eu estava usando há anos havia crescido tanto que eu, naquele momento, decidi fechar a conta e testar novas soluções. A portabilidade bancária é uma coisa libertadora.

A facilidade de abrir (e fechar) uma conta por um aplicativo ajuda muito no processo de pesquisa e definição de uma instituição bancária a usar. Mesmo que seja muito simples fazer todo o processo, entendo que o ideal é desenvolver uma relação mais duradoura com uma instituição bancária.

Eu testei e tenho testado alguns bancos ao longo destes anos. Já usei vários, mas acabei estacionando em uma instituição das mais tradicionais; daqueles bancos que tem agência. 🙂

Só que eu mantenho uma conta com apenas alguns centavos no Banco Inter pelos motivos mais preguiçosos:

  1. shellbox
  2. estacionamento rotativo

Há algumas semanas tenho me pegado pensando em como me desvencilhar dessa preguiça. Uma coisa me incomoda bastante e está ficando insustentável.

O aplicativo do banco Inter tem uma porção da tela mostrando postagens de pessoas e entidades ligadas ao banco e seus proprietários/controladores. Não há como desabilitar isso. O serviço se chama “Forum Inter”. Pessoal pegando pesado no esforço de influenciar os correntistas.

Eu consigo reconhecer algumas pessoas pelo nome, mas não sei quem são as outras. Imagino que sejam pessoas importantes do banco. Mas o fato é que isso pouco me interessa. Pouco me importa se eles são os donos da CNN ou se têm alguma opinião sobre o Clube Atlético Mineiro. Eu abri este aplicativo para fazer um pix.

Não quero uma dica de clube de investimento e nem saber qual foi o faturamento do banco no último trimestre. Como eu disse, eu quero fazer um pix.

Eu entendo ser este um “produto” que o banco usa para falar de si mesmo, das coisas que se relacionam com o banco e até acato a proposta de uma comunicação direta com o consumidor. Mas…

…tem três coisas que me incomodam profundamente nisso.

A primeira delas é que eu não pedi e nem permiti isso. Como consumidor de um serviço, sinto-me com o poder de escolher o que quero e o que não quero. Isso apareceu pra mim sem que eu quisesse ou solicitasse. Não é uma funcionalidade do serviço bancário e nem nada relacionado a uma. Nesse sentido, sinto-me desconfortável com aquilo na tela.

Eu não pedi e muito menos confio na capacidade de curadoria de conteúdo em forma de postagens curtas (à la twitter) de um banco. O espaço do aplicativo do banco é o espaço de realizar os serviços relacionados à minha vida financeira. E pronto. Este é o tipo de aplicativo que a gente abre, executa o que precisa e fecha. Não quero nenhum outro tipo de distração nesse processo.

A segunda coisa é a falta de controle. Vamos que o banco não abra mão dessa ferramenta. Como ela não é relacionada às transações que eu faço no aplicativo eu poderia simplesmente remover aquilo da minha interface.

Sendo esta porção da tela referente a algo que não é um serviço oferecido pelo banco, eu gostaria de poder simplesmente eliminar aquilo da interface. Mesmo que o banco ache isso a coisa mais legal em termos de comunicação, eu gostaria de poder remover aquilo. Falando em termos de experiência do usuário, esta porção da tela me mostra uma informação que eu não quero e nem pedi para ver. Não é algo relacionado ao serviço oferecido pela instituição; tratase de uma coisa totalmente secundária. Entendo que se houvesse um botão de “remover isso” eu não seria a única pessoa a apertá-lo.

A terceira coisa que me incomoda é o fato de este espaço poder ser usado para um tipo de comunicação e espalhamento de informações que não necessariamente servirão ao meu propósito como consumidor do serviço dessa instituição. Pelo contrário.

Quem diabos é Bernardo Pascowitch e porque o que ele está falando sobre Bitcoin está aparecendo na tela do meu aplicativo de banco quando eu quero apenas fazer um pix?

Quando você não está pagando por alguma coisa, você é o produto

Talvez das três coisas que eu falei acima, a terceira é a que mais me incomoda porque é algo que vai muito além da experiência ao usar um aplicativo. Os impactos podem ser muito mais profundos e marcantes. As consequências podem ser muito mais danosas.

Pensemos que o banco Inter tem mais de 34 milhões de clientes. São 34 milhões de pessoas que abrem este aplicativo quase que diariamente ou às vezes múltiplas vezes ao dia. Cada vez que cada um desses clientes abre o aplicativo, o banco (ou seus controladores) têm a oportunidade de “falar algo” para estas pessoas.

A CNN Brasil, outra empresa que os donos do Inter tem, é uma emissora de televisão que está 24 horas por dia no ar e não tem essa audiência.

Pensemos o que pode ser feito com uma audiência desse tamanho. No caso da imagem que eu coloquei acima, uma pessoa falando sobre Bitcoin tem uma audiência potencial compulsória de 34 milhões de pessoas.

Não é uma pessoa qualquer e muito menos é alguém que eu escolhi acompanhar ou mesmo querer saber o que pensa sobre Bitcoin. Alguém escolheu isso pra mim e está me forçando a ver isso na tela do aplicativo de banco que eu abri quando queria apenas fazer um pix.

O tal Bernardo não é uma pessoa qualquer. O que ele fala traz uma agenda. Não necessariamente é a minha agenda. E é aí que mora o perigo. Ele e todos os outros que aparecem ali são pessoas com várias intenções e as 34 milhões de pessoas que estão potencialmente vendo estas postagens não fazem a menor ideia de quais são essas intenções.

Colocar uma ferramenta/funcionalidade/seção como essa num aplicativo de banco não é algo que acontece por acaso. Não é um tiro no escuro. É algo pensado e planejado e leva em conta (dentre várias outras coisas) o fato de 34 milhões de pessoas potencialmente verem aquelas mensagens diariamente.

Pensando nas potenciais consequências e desdobramentos disso me faz chegar à conclusão de que oferecer serviço bancário gratuito é um baita investimento para o Inter.

 

WhatsApp com IA. E agora?

Ontem, dia 22 de outubro, a Meta (anteriormente conhecida como Facebook) começou a integrar umaferramenta dessas que estamos convencionando chamar de IA nos grupos do WhatsApp [1].

Ao que tudo indica, chegou a hora de a empresa coletar os dividendos resultantes do investimento feito em quando pagou 22 bilhoes de dolares pelo aplicativo de mensagens em 2014 [2].

Para fins de referência, a Meta pagou um bilhão de dólares pelo Instagram em 2012 [3]. Hoje, 12 anos depois, o Instagram proporciona à meta quase 50 bilhoes de dólares em lucro anual [4].

Era, portanto, de se esperar que a empresa estivesse investindo pesado em formas de lucrar com a compra do WhatsApp. Como comecei falando, parece que este momento chegou.

O potencial sempre foi alto (acho que isso fica claro ao observar o intervalo de tempo entre a compra do Instagram e a compra do WhatsApp e a diferença dos valores pagos pelos dois produtos). Apesar disso, até hoje o WhatsApp não mostrava números de faturamento muito convincentes.

Ainda assim, a empresa sempre apostou muito no aplicativo.

O motivo disso é bem claro: as informações que são trocadas dentro do ambiente do WhatsApp são valiosíssimas. É no WhatsApp que as pessoas vão trocar confidências com quem não está perto. É por ali que você e as pessoas com quem você tem intimidade vão conversar sobre coisas que não querem que o resto do mundo fique sabendo. São em diversos grupos de mensagens privados que funcionários agilizam a execução de tarefas e conversam sobre o trabalho em inúmeras empresas ao redor do mundo. O potencial deste mundo de informações é virtualmente ilimitado. Por isso que quase ninguém estrenhou que por dez anos o aplicativo seguiu gratuiito e gerando muito pouco em faturamento para o Facebook / Meta.

Dados de 2023 mostram que naquele ano, o WhatsApp gerou perto de 1.3 bilhão em lucro [5 ].

Voltando às comparações, isso é quase 50 vezes menos que o Instagram gerou em lucro no mesmo ano. Observando essa diferença e aquela outra referente a quanto cada um dos produtos custou, é de se esperar que a fome da Meta seja grande. Os acionistas devem estar mais do que ansiosos para ver o dinheiro começar a entrar de verdade em retorno pela compra do aplicativo dez anos atrás.

Com as ferramentas de aprendizado em larga escala, chegou a hora da colheita.

Mas aqui cabe um parênteses. Estou falando dessa forma, com a perspectiva de retorno efetivo de investimento começando a acontcer agora em função dos números reportados pelo Facebook / Meta. Há quem pense e insinue que ações de publicidade altamente direcionada no Instagram já estejam usando dados obtidos em conversas no WhatsApp há tempos [6].

Então… a ferramenta de IA no WhatsApp foi anunciada esta semana.

Desde ontem, para mim, os grupos dos quais participo agora tem um membro a mais, a IA da Meta. Isso não parece estar ainda 100% claro para todo mundo. Em meu caso, eu uso o WhatsApp no iPhone e no computador, versão web. Como na versão da web as coisas demoram a aparecer, não é de se estranhar que nada apareça lá durante os próximos dias ou mesmo semanas. No entanto, também não consigo ver nada de forma muito clara no aplicativo de meu telefone. A única coisa que percebo é essa diferença de uma unidade entre o número de pessoas declaradamente presentes num grupo e o numero de usuários que eu conto no grupo. Tem sobrado uma pessoa (a IA da Meta). Ontem, em um dos grupos que participo, algumas pessoas ficaram “conversando” com essa IA. A ferramenta argumenta que basta que retiremos este membro do grupo para que o recurso de IA nao seja usado.

Só que as coisas não são bem assim.

O fato de a empresa ter inserido um componente no grupo a revelia dos participantes é complicado.

Outra coisa a considerar é a assimeteia de poder, muito bem argumentada pela Cathy O’Neil no livro Weapons of math destruction [7]. Quando nós (pessoas) entramos em um grupo de WhatsApp, não temos acesso ao que foi discutido antes de nossa entrada lá. Faz sentido. No emtanto, não sabemos se o mesmo acontece com esta IA da Meta. Da mesma forma que ela guarda em seus servidores todo o histórico das conversas, por qual motivo não daria acesso a esse histórico para a sua ferramenta de aprendizado de máquina? Por via das dúvidas, devemos considerar que esta ferramenta terá acesso a todo o histórico de conversas do grupo. Como disse, por quê ela não teria?

A Meta / Facebook já nos deu mais do que uma vez provas de que não faz exatamente o que fala que faz; lembra do caso do advogado belga retratado no filme “terms and conditions may apply” [8]? Então, mesmo que o dono de um grupo não queira esta funcionalidade e retire a IA, não há qualquer garantia de que todas as conversas anteriores já não tenham sido coletadas e agora abasteçam o aprendizado e os bancos da Meta / Facebook.

Isso é muito grave.

Com os dados de um sem numero de grupos e conversas, a empresa tem em suas mãos uma quantidade de informações inimaginável.

Ações de publicidade altamente direcionada no Instagram e no Facebook é o minimo que podemos esperar como consequência disso.

Entretanto penso que a coisa seja ainda mais grave e o buraco seja ainda mais profundo.

Pense na quntidade de grupos que você participa referentes a trabalho. Se voce trabalha em uma empresa com mais de 50 funcionarios, chances são que muita coisa da gestão da empresa aconteça justamente ali naquela plataforma. Pense nos grupos que envolvem os seus chefes. Pense nos grupos que envolvem os diretores da empresa; os tomadores de decisões.

Tudo o que eles disseram está abastecendo a IA da Meta e não há quem me prove que a Meta já não esteja fazendo isso.

O problema é que agora ficou público; talvez porque verdadeiramente tenha chegado o momento de coletar o retorno pelos 22 bilhões de dólares investidos em 2014.

Então, tão importantes quanto nossos dados e mensagens individuais, pensemos no impacto dessa ferramenta ter acesso a informações da gestão de milhares de empresas. Pense que os gestores, diretores e executivos conversam sobre assuntos delicados nesse aplicativo e a Meta agora formalmente sabe de tudo. No mínimo, saberá de tudo a partir de agora (pisca, pisca).

Tendo conhecimento do histórico e da falta de cuidado que a empresa tem com as informações que coleta, isso e assustador [9].

Não que ela não coletasse dados antes. Isso é bem possível e plausível, visto que ter inserido um novo membro nos grupos sem que ninguém fosse consultado é um indicativo de um comportamento altamente invasivo.

Reforçando, o que é grave neste momento é que isso está às claras.

Ou seja: é bem possivel que dados estejam sendo coletados há um bom tempo.

Mas, então, o quê fazer?

Tão certo quanto o desrespeito à privacidade por parte da Meta é saber que veremos muitos argumentos do tipo “Mas o WhatsApp já sabe de tudo mesmo, que mal faz?!”. Ou então a argumentação de que “já está tudo lá mesmo, não há o que fazer!”. Estes argumentos são preguiçosos e sabemos disso. Devemos lutar contra eles com contra-argumentos coerentes.

Pensemos nessa situação e sua analogia com a de uma pessoa que fuma há alguns anos e descobre um efizema pulmonar. Será que essa pessoa vai reagir com um “Ah, mas agora já estou com este efizema, não preciso parar de fumar!” ou será que ela é aconselhada pelo seu médico a parar de fumar em função disso? Eu acho que a segunda possibilidade é mais plausível. Se a pessoa quer manter-se viva, o ideal é que ela pare de fumar. Não é? Pelo menos é a mudança de atitude esperada. Sabemos já haver um dano, mas isso não significa que porque este dano ja esteja feito que nao exista mais solução. A solucao é parar de fumar.

Outro exemplo: uma pessoa que nunca cuidou da alimentação pode descobrir que tem diabetes antes dos 50 anos. O comportamento esperado é que exista uma mudança de hábitos para tentar parar o avanco da doença. Se a pessoa continuar com estes hábitos, as consequências podem ser a cegueira e amputação de membros. Nesse sentido, pessoas que descobrem que tem diabetes costumam mudar comportamentos.

Então. Tal qual uma pessoa que descobriu um efizema ou recebeu o diagnóstico de diabetes, devemos mudar de atitude. Meu argumento é que devamos evidenciar essa necessidade para todos. Por isso estou aqui.

O tempo que usamos esta plataforma causou um dano. A aplicação dessa IA nos chats é um sinal desse dano. Este dano pode não ser visível agora, mas sabemos que ele vai nos causar problemas em breve se seguirmos com este comportamento. A solução é mudar de comportamento.

Feito o dano, não quer dizer que esteja tudo perdido. A gente deve – como pessoas responsaveis – agir ativamente para impedir que o dano continue / aumente ou nos traga mais prejuízo.

Por isso, o que tem pra hoje é que a gente deve mudar de hábitos. Minha sugestão para o momento é usar o Signal [10].

Você pode ter dificuldade em convencer algumas pessoas, clientes ou colegas de trabalho, mas não deve deixar de tentar. Mude o que conseguir mudar para o Signal.

26 de setembro de 2024

O que tem pra hoje?
O que tem pra hoje?
26 de setembro de 2024
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Provável que você tenha ido dormir tarde na noite de ontem e acordou cedo hoje cansado. Provável que você esteja acordado além da hora que deveria ter ido pra cama. Amanhã vai acordar cansado. Estas generalizações que estou fazendo tem um motivo e uma explicação. Mais sobre isso adiante.

A gente vai para a cama cansado, acorda cansado, passa o dia inteiro cansado sem parar de trabalhar, estudar, enfim. Estamos o tempo todo cansados e com a impressão de que as coisas a fazer nunca acabam.

Quando a gente deita a cabeça no travesseiro,  não consegue escapar daquele sentimento de culpa de que o dia rendeu menos do que deveria ter rendido. Fizemos menos do que deveríamos ter feito.

Poderia ser só isso, mas além do cansaço que sentimos constantemente e do sentimento de que deveríamos ter feito mais, há também um sentimento de tédio; de que nada é o suficiente. De que não estamos aproveitando os nossos dias com atividades entusiasmantes. Este é um sentimento de tédio do pior tipo possível. Isso porque nos incapacita, nos paralisa. Há um outro tipo de tédio que, paradoxalmente é muito benéfico para a gente e que a gente não tem experimentado há tempos.

Isso não acontece só com você. Está generalizado. É a sociedade do cansaço que o Byung-Chul Han fala. Se você ainda não leu este livro, eu recomendo fortemente que você leia. Ele faz parte de um conjunto de publicações que apresentam reflexões sobre como estamos coletivamente detonando nossas vidas sem percebermos. Mais sobre outros livros depois.

Agora eu quero me dedicar a falar com você sobre essa sensação que você (e eu) temos o tempo todo. Esta percepção de que a gente não está fazendo o suficiente e, ainda assim, não paramos de trabalhar. Como pode isso?

Bem, eu entendo que há uma relação íntima entre este estado mental de cansaço e frustração contínua que vivemos e nossa relação com as plataformas sociais. Os autores que vou recomendar a você ao longo desta fala de hoje me ajudam a construir esta argumentação. Vamos lá.

Uma coisa bem importante que a gente vive na sociedade atual é a superexposição à informação. Somos alertados o tempo todo de que algo novo aconteceu. Quase a totalidade dos aplicativos instalados em nossos telefones nos enviam alertas diários. Às vezes múltiplas mensagens nos falando que algo requer nossa atenção.

A gente já se acostumou com isso e aprendeu a conviver com as constantes interrupções que os alertas proporcionam. A gente é o tempo todo interrompido por algo que pode ser importante e nos notifica com um barulho que demanda uma ação imediata.

O Byung-Chul Han faz referência ao tempo que vivemos como sendo um período em que a gente precisa ser muito produtivo. Paradoxalmente a produtividade é inimiga das interrupções. Então quando a gente precisa fazer alguma coisa, preferiria não ser interrompido, né? Só que as outras pessoas não estão pensando nisso e nos mandam mensagens constantemente. Além disso os aplicativos que usamos notam a nossa ausência e demandam nossa atenção com alertas informando que algo importante aconteceu e você precisa saber.

Isso arrebenta com a nossa capacidade de produzir algo mais elaborado ou engajar em uma tarefa mais longa. O Cal Newport fala bastante sobre isso no seu livro chamado Trabalho Focado. Para ele a gente precisa de períodos sem interrupção para podermos realizar tarefas que demandam mais de nossa capacidade intelectual. Quanto mais fragmentamos nosso tempo por causa das interrupções, mais prejudicado é o nosso rendimento ou aprendizado.

Então a gente tenta se acostumar com os constantes alertas que se colocam pra gente e vai se virando com a nossa produtividade comprometida. Claro que isso nos deixa num estado de constante tensão. Não adianta ignorar que uma mensagem chegou e continuar com a sua tarefa. O fato de ter uma mensagem lá te esperando é o suficiente para t desconcentrar em sua tarefa e você vai ficar matutando o que pode ser que precisa de sua atenção.

Ou seja: uma coisa é a nossa necessidade (ou exigência coletiva introjetada em cada indivíduo) de sermos produtivos e a outra são as constantes interrupções que nos sujeitamos. Uma vai contra a outra mas elas se encaixam perfeitamente em nossa sociedade contemporânea.

Se ao menos a gente conseguisse lidar com a espera pela resposta a uma mensagem, né? Mas outro autor, que é o Christoph Turcke nos fala no livro Hiperativos que, à medida em que mudamos as nossas relações com o consumo de informações e mídia, mudamos a forma com a qual esperamos que várias outras coisas em nossas vidas aconteçam também. Para o Turcke, no contexto anterior, em que a gente era obrigado a esperar uma semana para ver um novo episódio de uma série ou então o tempo que a gente tinha que esperar para o filme de uma máquina fotográfica acabar e só aí podermos levar a uma loja para revelar aquele negativo e ampliá-lo para vermos as fotos que tiramos fazia bem pra gente. Ensinava a gente a lidar com a espera. Nesse mesmo contexto a gente não estava disponível o tempo todo para conversar com quem quer que fosse. Houve uma época em que você ligava para a casa de uma pessoa e, se ela não estivesse lá, você deixava um recado e precisava agora esperar a pessoa voltar e decidir te ligar de volta. Só assim vocês conseguiriam conversar. O mesmo acontecia no contexto do trabalho.

Só que agora estamos disponíveis o tempo todo. E queremos que todos estejam disponíveis para nos atender instantaneamente. Nossa paciência e capacidade de esperarmos foi pro beleléu. A gente quer tudo para agora. Fica furioso quando alguém desliga o recibo de leitura no WhatsApp e fica chateado quando demoram a nos responder.

O Cristoph Turcke fala que isso prejudica bastante a nossa capacidade de aprender porque a gente se acostumou a ter tudo o que solicitamos instantaneamente à nossa disposição. Assim a gente acaba não refletindo sobre o que consome. Não há um tempo para digerir nenhuma informação.

Quando você termina de assistir um vídeo no YouTube ou no Netflix, as plataformas apresentam uma contagem regressiva indicando que o próximo conteúdo vai começar. A gente nem tem tempo de pensar sobre o que acabamos de assistir. A gente nem quer pensar. A gente se acostumou a não pensar. A gente só quer o próximo conteúdo agora. A gente só quer ser respondido imediatamente. A gente só precisa não parar de trabalhar para responder e atender a todas as demandas que a gente recebe ao longo do dia. Sem pensar.

Por isso que quando a gente deita a cabeça no travesseiro à noite, fica com a sensação de que nada foi feito. Porque de verdade a gente fez pouca coisa mesmo. A gente apenas reagiu. Executou. Atendeu. A gente pouco pensou. Daí o trabalho acumula para o dia seguinte porque todos os outros esperam da gente um rendimento maior e a gente segue nessa rotina de cobrar e sermos exigidos numa roda de santa catarina que jamais para. Que coincidência engraçada este nome, né?

Enfim. Este constante estado de alerta, associado com a necessidade de produtividade e a frustração de não ter dado conta daquilo que a gente tinha que fazer deixam a gente no estado de burnout que o Byung-Chul Han fala em seu livro. Voltamos a ele.

Como eu falei há pouco, há uma relação muito próxima entre estes sentimentos e nossos hábitos de consumo de informações em mídias sociais. A gente precisa estar o tempo todo de olho no que os outros postaram. Afinal, podemos estar perdendo algo. As pessoas esperam isso de nós. A gente precisa postar sempre. A gente precisa participar. A gente precisa produzir conteúdo.

A gente precisa produzir e publicar o conteúdo que produzimos porque a gente tem a pressão coletiva de mostrar a que veio. A gente precisa dizer para todo mundo que a gente sabe muito de algo. Profissionais de várias áreas de atuação se veem forçados agora a também se transformarem em pessoas de influência em seus campos de atuação. Certa vez eu tive um aluno que me falou que viajaria para São Paulo para ter uma consulta com um nutrólogo. Perguntei a ele: “mas por qual motivo ser atendido por um nutrólogo de São Paulo? Aqui em BH não tem nutrólogos bons?” Ele me respondeu: “Mas este não é de São Paulo. Ele é de Curitiba. Está indo para São Paulo apenas para atender alguns seguidores por um dia apenas”. “Seguidores?” Perguntei. O aluno me disse que o nutrólogo era bom porque tinha mais de 100 mil seguidores no Instagram.

Ou seja: que desgraça a vida do profissional de saúde, do arquiteto, do advogado, do engenheiro, do mecânico de automóveis que agora, além de ter que ser bom para conseguir clientes, precisa fazer sucesso na mídia social para poder ter a validação de que é bom e conseguir por ali os clientes.

O nutrólogo, o arquiteto, o mecânico de automóveis agora precisam encaixar em suas rotinas diárias de trabalho o tempo necessário para produzirem conteúdo que seja bom o suficiente para que eles obtenham destaque no Instagram.

Está percebendo onde eu estou querendo chegar?

A gente (coletivamente) agora, cada um em sua área de atuação, está trabalhando muito mais porque também – para além de todas as nossas atribuições diárias – precisamos arranjar um tempo para “produzir conteúdo” e mostrar para o mundo que somos bons em alguma coisa. Para quem não faz isso resta aquele sentimento de que está aquém ou de que não é simplesmente bom em nada.

Claro que estou hiperbolizando aqui, mas a sensação coletiva é essa. Sobre este tipo de generalização, já falei antes e repito agora: mais adiante eu abordo isso, calma.

As plataformas sociais algoritmicamente manipuladas carregam parte da responsabilidade por nos sentirmos assim. Estes espaços se transformaram em verdadeiros campeonatos de popularidade. A lógica algorítmica das plataformas de impulsionarem (ou mesmo mostrarem) conteúdos que entendem gerar “engajamento” faz com que todo mundo se comporte como se uma marca fosse. A gente se esquece de ser pessoas quando o imperativo do engajamento algorítmico opera.

Então agora a gente tem pessoas que passam boa parte de seus dias produzindo um conteúdo sobre algo que às vezes pouco conhecem para parecerem especialistas numa área. Este conteúdo vai ser exibido para outras pessoas que, por saberem menos ainda sobre aquele assunto, vão achar que aquilo é verdade; afinal, um especialista com sei lá quantos mil seguidores no Instagram falou. Então deve ser verdade, né? Do contrário, este especialista não teria este tanto de seguidores.

É a roda de Santa Catarina dando mais uma volta.

Sofre a pressão de ter que produzir constantemente o profissional que precisa mostrar seu trabalho nessa vitrine injusta. Ela é injusta porque não são claros para quem produz e muito menos para quem consome o conteúdo, quais são os critérios e qual é a lógica que opera na circulação desse material. O que entendemos (ou nos cabe entender) é que quem fala quão alto devemos dar nossos pulos é a plataforma. Ela não se incomoda em nos dizer o motivo de pularmos.
Sofre a pessoa que vê o conteúdo e não sabe o que fazer com ele, sentindo-se aquém de suas possibilidades. Sofre aquele que não dá conta de produzir e acha que algo está faltando.

Sofremos todos e recorremos às plataformas algoritmicamente manipuladas em busca de algo que nos mostre um caminho. Mas o que vemos é apenas mais postagens de especialistas e, claro, anúncios. Esta é a Sociedade da Transparência, que é outro livro do Byung-Chul Han. Neste ensaio o filósofo nos apresenta questões decorrentes da nossa presença exacerbada nas plataformas sociais e as suas implicações para as nossas vidas. A perda do segredo e o desaparecimento do encanto da descoberta conjunta se revelam constantes nos nossos dias. Aquilo que se mostra um imperativo num momento (ou seja: devemos nos mostrar; falarmos nas plataformas sobre as nossas capacidades) é extrapolado organicamente em nossos comportamentos cotidianos. Acabamos, coletivamente, por transpor para as plataformas sociais todos os aspectos de nossas rotinas, sendo este um outro imperativo consequente: todo mundo falando de tudo sobre suas vidas e tendo todo mundo como plateia.

Sobre isso há uma série de desdobramentos sérios a considerar. Byung-Chul Han nos fala de consequências imediatas relacionadas às maneiras pelas quais nos relacionamos uns com os outros. O autor enfatiza a questão da perda do encantamento em uma comparação que eu acho ser muito legal com a pornografia. O jeito como escancaramos as nossas vidas pessoais nas plataformas sociais é pornográfico porque desvela nossas vidas a uma plateia que consome tudo isso num processo de prática vigília. Nesse ponto, Han fala que o panóptico foi substituído por um contexto em que cada prisioneiro vigia o outro. Não precisa (embora ela exista) existir mais uma entidade centralizada que observa a todos. Agora todos estamos observando uns aos outros.

Para além dessas consequências que Han fala no Sociedade da Transparência, entendo haver outras que se relacionam ao que Frances Haugen tornou público em 2021. As dinâmicas de uso das plataformas sociais algoritmicamente manipuladas podem proporcionar danos à saúde mental das pessoas. As plataformas sabem disso, mas nada fazem. Ou melhor, atuam para que isso não apareça de maneira tão proeminente. Para elas, está tudo bem. Castells já indicava serem as plataformas (ou nas palavras dele, operadores das redes) novos detentores de grande poder neste contexto híbrido de comunicação em rede. E olha que ele falou isso no livro O poder da comunicação, que é de 2016 em sua edição traduzida.

E pra onde isso nos leva? A rotina e a dinâmica que nos impomos como sociedade nos leva a esse estado que iniciei comentando na fala de hoje. É o esgotamento da sociedade do cansaço. Mas existem ainda algumas coisas que gostaria de falar.

O processo de pesquisa acadêmica é moroso e doloroso. Não é rápido aprender conceitos e fazer pesquisa. Uma das coisas que aprendemos neste caminho é que a gente precisa ver pluralidade de interpretações de conceitos para entender mais aprofundadamente o que algo quer dizer e como este algo se relaciona com aquilo que estamos construindo como nosso aprendizado. Por qual motivo trago isso agora? Porque esta coisa da pluralidade das interpretações é chave tanto no processo de formação quanto na nossa vivência no dia a dia nas plataformas sociais.

Voltemos à roda de Santa Catarina. Especificamente à parte em que nos sentimos frustrados ao vermos os conteúdos que aparecem para a gente sugeridos pelos algoritmos das plataformas sociais comerciais.

Eventualmente a gente é apresentado a conteúdos que não domina ou que na verdade nem sabia que existiam. Estes conteúdos são produzidos por pessoas das mais diversas origens e formações. São pessoas que não necessariamente conhecemos e que nos apresentam coisas dizendo que aquilo é verdade, que é confiável e que elas são especialistas naqueles assuntos. Estas são as pessoas das quais falei há pouco. É o nutrólogo, o Arquiteto e o Mecânico que estão em busca de consolidar-se como pessoas influentes ou de referência em suas áreas.

Pois bem, a gente não conhece estas pessoas e nem sabe se o que elas estão falando é verdade. Mas a gente é humano e os humanos consideram inicialmente como verdade aquilo que lhes é apresentado, via de regra. Essa coisa de considerarmos inicialmente aquilo que ouvimos, lemos ou vemos dos outros como verdade é algo que nos ajuda, inclusive, a entender o espalhamento de desinformação. Mas sobre isso vou me dedicar a falar em outra ocasião. Por agora, o que é importante é juntarmos duas coisas que ainda estão perdidas nesta fala de hoje. A primeira é que a gente tende a generalizar coisas a partir de experiências individuais que temos. Lá no começo da fala eu faço uma generalização, apresentando um pressuposto baseado em minha experiência pessoal. Isso é bem comum de acontecer. Quando a gente não conhece muito sobre outras experiências em um determinado campo ou assunto, tendemos a pensar que todas as vivências relacionadas no mundo serão da mesma forma. Por exemplo: se você teve uma péssima experiência com um som da marca CCE, você vai tender a achar que todos os aparelhos dessa marca são ruins.

Este tipo de generalização a partir de experiência pessoal, como é possível antecipar, não tem muita fundamentação ou validade, né? Só que é difícil a gente levar isso em conta enquanto está rolando o feed do Instagram. Por isso que é fácil a gente acabar sentindo que está fazendo algo errado, ou que não está fazendo o que deveria fazer ou mesmo que está aquém em suas realizações quando a gente vê uma pessoa nas plataformas sociais com uma performance que a gente não está conseguindo ter. Isso pode te levar a interpretar as suas próprias realizações de um jeito muito ruim. Em primeiro lugar porque tal qual a facilidade de generalizar a partir de experiências pessoais e de considerar qualquer coisa que ouvimos, inicialmente, como verdade, também somos levados a comparar nossas vidas com as vidas dos outros. A angústia e aquele sentimento de não realização podem estar vindo daí.

Assim, para tentar finalizar esta fala que acabou ficando por demais longa hoje, é importante a gente prestar atenção que ao menos parte destes sentimentos ruins que a gente tem com relação à nossa produtividade e às expectativas que colocamos para nós mesmos vêm de reações ou atitudes que temos de forma natural e esperada frente às coisas que são apresentadas pra nós. Talvez sejam mais algumas externalidades negativas das plataformas sociais sobre as quais precisamos ficar atentos. Enfim. É o que tem pra hoje.

Bem, acho que ficaram algumas pontas soltas neste texto. Eventualmente tentarei resolver todas as questões. Sobre o bom tédio e o tédio ruim pra gente, vou falar em outra ocasião. Um abraço!

10 de setembro de 2024

O que tem pra hoje?
O que tem pra hoje?
10 de setembro de 2024



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Como andam seus hábitos de segurança especialmente relacionados ao uso de senhas?

Não me diga que você é daquelas pessoas que usam a mesma senha para todos os sites e serviços, né? Isso não deve ser feito de forma alguma!

Sei que não sou o único a falar isso, mas é porque pesquisas mostram que muita gente acaba usando as mesmas senhas para mais de um serviço.

Ninguém está negando que é um saco ter que gerenciar e memorizar senhas para tudo quanto for serviço que você tiver que usar. Mas se você tem este péssimo hábito de usar a mesma senha para mais de um serviço, saiba que a primeira coisa que acontece quando há um vazamento de dados e senhas de acesso de usuários são publicadas é o pessoal das más intenções testar esta mesma senha em diferentes serviços que você possa usar. Boa parte das vezes esta coisa funciona porque – justamente – muita gente acaba usando as mesmas senhas para tudo.

🤷‍♂️

Então, a minha recomendação inicial hoje é a de que você deve se proteger mais. Se você tem este péssimo hábito de compartilhar senhas em diferentes serviços, vá mudando as senhas aos poucos. Coloque senhas difíceis e diferentes para cada coisa que você usa. Este processo pode ser executado a cada vez que você vai acessando um dos serviços. Assim fica menos chato trabalhar a sua proteção.

Uma outra coisa que eu recomendo é que você não anote suas senhas em nenhum lugar visível ou acessível a ninguém sem proteção. Deixar um caderningo ou um papelzinho com as suas senhas anotadas em algum lugar é receita perfeita para ter problemas no futuro.

A recomendação nesse sentido é usar um serviço de gerenciamento de senhas. Há vários deles por aí e muitos testes certificando a segurança deles. Pessoalmente eu recomendo o Bitwarden. É uma solução gratuita para uma pessoa e que tem a possibilidade de integração com seu navegador ou mesmo usar em um aplicativo no celular e no computador. As senhas são guardadas protegidas por – isso mesmo – uma senha e você pode resgatar suas credenciais onde quiser, desde que esteja conectado à internet. É um esquema bem fácil de usar. Uma vez que você instala o Bitwarden, a única senha que você vai memorizar é a dele. O resto vai estar tudo guardada lá dentro. Daí é só proteger esta conta. Simples e fácil.

Existe ainda uma outra abordagem de segurança que é você ter um banco de dados criptografado com suas senhas e usar um aplicativo em suas máquinas para abrir este banco. Nada de usar serviços de empresas. Essa abordagem é mais privada e te dá mais autonomia. Muita gente curte, por exemplo, usar o Keepass (que é um aplicativo que tem para celular e computador) para gerenciar este banco de senhas (que muitos chamam de cofre) sincronizando tudo num DropBox da vida. è uma solução interessante e bastante segura.

O que você não deve fazer, então, é ficar desprotegido.

Enfim, é isso que tem pra hoje.